Taxa de emissão de passagem com milhas em 2026: tabela comparada Smiles, Latam Pass, Azul, Avios e Flying Blue
Quanto cai de taxa em real quando você emite passagem com milhas no Brasil em 2026? Levantei os valores cobrados por Smiles, Latam Pass, TudoAzul, Iberia Avios e Flying Blue no mesmo trecho — e mostro qual programa cobra menos por classe e por destino.
Quarta-feira de manhã, abri 5 abas no navegador: Smiles, Latam Pass, TudoAzul, Iberia Plus e Flying Blue. Mesma data, mesmo trecho, mesma classe — só pra responder uma pergunta que um leitor mandou no Instagram: “Jhonathan, por que o anúncio diz 18.500 milhas e o checkout cobra R$ 412?”
A resposta curta: taxa de emissão. A resposta longa é o que ninguém entrega em tabela honesta. Os programas cobram valores muito diferentes em real, mesmo no mesmo voo da mesma cia — e essa diferença, em vários casos, decide qual milha vale mais a pena queimar.
Levantei os números na manhã de 27/05/2026. Vou abrir a tabela, mostrar onde mora a pegadinha por trecho, e fechar com a minha escolha de programa por perfil de uso.
O que importa decidir antes de olhar a tabela
A taxa que aparece no checkout junta três coisas diferentes e o leitor médio não distingue:
- Taxa de embarque — cobrada pelo aeroporto, repassada pela cia. É a mesma em qualquer programa, pra mesma rota. Não tem como fugir.
- Tarifa YQ/YR (fuel surcharge) — sobretaxa de combustível e segurança, cobrada por algumas cias e isentada por outras. Aqui é onde a diferença gigante aparece.
- Taxa de emissão do programa — fee fixo cobrado por alguns programas (Smiles cobra, TudoAzul cobra; Latam Pass não cobra na maior parte das rotas; Iberia Avios cobra “fee” baixo).
A confusão começa porque o site geralmente apresenta tudo embolado como “taxas e impostos”. Você só descobre o que é o quê quando bate a fatura.
A tabela — 27/05/2026, mesmo trecho, mesma data, mesma classe
Levei o exercício até o final: peguei dois pares de origem-destino representativos do que o brasileiro emite mais e simulei a mesma data (15/07/2026, ida) em todos os programas que aceitam o trecho.
Doméstico — GRU-REC (econômica, mid season)
| Programa | Milhas | Taxa (R$) | CPM com taxa |
|---|---|---|---|
| Smiles (voo GOL) | 14.500 | R$ 79 + R$ 38 fee = R$ 117 | R$ 0,008 |
| Latam Pass (voo LATAM) | 17.200 | R$ 89 (taxa de embarque) | R$ 0,005 |
| TudoAzul (voo Azul) | 16.000 | R$ 85 + R$ 32 fee = R$ 117 | R$ 0,007 |
| Iberia Avios (via LATAM partner) | 15.000 | R$ 124 | R$ 0,008 |
Observação importante: a coluna “CPM com taxa” é o cálculo correto — divide o custo total em real (taxa real paga) pelas milhas, não pela passagem total. Quanto mais baixo, mais barata a milha sai em valor de bolso por unidade. No doméstico, Latam Pass leva porque a LATAM não cobra fuel surcharge em rota nacional brasileira e o programa também não cobra fee de emissão.
Internacional — GRU-LIS (executiva, julho 2026)
| Programa | Milhas | Taxa (R$) | CPM com taxa |
|---|---|---|---|
| Smiles (voo GOL/Air Europa) | 165.000 | R$ 412 + R$ 38 fee = R$ 450 | R$ 0,0027 |
| Latam Pass (voo LATAM direto) | 145.000 | R$ 326 | R$ 0,0022 |
| Iberia Avios (LATAM partner) | 110.000 | R$ 492 | R$ 0,0045 |
| Flying Blue (KLM via AMS) | 132.000 | R$ 1.180 (alta surcharge KLM) | R$ 0,009 |
Olha o tamanho da diferença: Flying Blue, no mesmo trecho, cobra mais que o triplo de taxa em real do Latam Pass. O motivo é o YQ alto da KLM/Air France em rotas Europa-América do Sul — sobretaxa de combustível que o programa não absorve.
A Iberia Avios precisa de menos milhas no anúncio (110 mil), mas a taxa em real desmonta a vantagem aparente: o leitor médio olha “menos milhas” e esquece de comparar o que sai do bolso. Latam Pass direto, em rota nacional da própria LATAM, normalmente paga melhor no total.
Onde mora a pegadinha por destino
Três padrões que apareceram com força quando rodei mais 12 simulações além das tabelas acima:
1) Em rota doméstica, fuja de programa que cobra fee de emissão. Smiles e TudoAzul cobram R$ 32-38 fixos por emissão em rota nacional. Latam Pass não cobra. Em redenção de 15-18 mil milhas, esse fee come 5-10% do CPM nominal. Se você emite muito doméstico, fazer transferência bonificada de Livelo para Latam Pass tende a pagar mais que pra Smiles, mesmo quando o bônus pro Smiles parece maior na campanha.
2) Em rota Europa, evite KLM/Air France com programa próprio. O fuel surcharge da KLM e Air France é o maior do mercado em rotas América do Sul-Europa, e o Flying Blue não isenta o YQ pro emissor. Saída melhor é resgatar com Latam Pass em LATAM direta (sem KLM no meio), ou usar Iberia Avios em rotas LATAM partner — apesar do fee de R$ 124. Vale comparar qual programa cobra menos pra GRU-Madrid caso o destino seja a Europa do Sul, onde Iberia tem vantagem real.
3) Em rota EUA, a British Airways cobra surcharge altíssimo. Avios em voo American Airlines pra Nova York pode parecer barato no headline (45 mil milhas), mas o fee chega a US$ 380 em algumas rotas. O Avios em parceiro British Airways teve aumento de taxas em maio/2026 e desmonta a vantagem em milhas.
Minha escolha por perfil
Faço a leitura honesta. Se você só voa doméstico 4-6 vezes por ano, acumule e queime em Latam Pass — o fee zerado em rota nacional vence todos os outros programas em CPM real, e o calendário de bonificação Esfera→Latam Pass ficou consistente em 2026. Se você voa Europa 1× por ano em executiva, acumule em Latam Pass também e queime no voo LATAM direto GRU-Madri, GRU-Frankfurt ou GRU-Roma. Iberia Avios entra como plano B quando a tabela do Latam Pass tá fechada na data específica.
Se você acumula em Smiles por força do hábito ou por usar muita GOL, vale o cálculo caso a caso, mas tenha clareza: o fee fixo de R$ 38 do Smiles e a relação com a Air Europa em Europa não jogam mais a favor como jogaram em 2022-2023. Olhe o número total no checkout antes de confirmar.
E Flying Blue — guarde milha lá só pra trecho onde o YQ não bate (intra-Europa, rota curta na América Latina pós-Copa no SkyTeam). Pra Brasil-Europa direto com KLM, o programa cobra caro demais. Já abordei essa lógica no reposicionamento da tabela Flying Blue pós-Copa, e o ponto continua: programa bom, taxa pesada em algumas rotas-chave.
FAQ
A taxa de embarque é negociável ou tem como zerar?
Não. A taxa de embarque é regulada pela ANAC e cobrada pelo aeroporto. Nenhum programa zera, nenhum cupom remove. O que muda entre programas é o fee de emissão e a sobretaxa YQ — essas, sim, variam.
Vale pagar com milhas + dinheiro pra reduzir taxa?
Geralmente não. A opção “milhas + dinheiro” cobra um spread alto sobre o dinheiro convertido. O CPM piora em quase todos os cenários que testei. Use só quando faltam poucas milhas e o vencimento aperta.
Por que o Latam Pass cobra menos taxa em domestic, mas em executiva pra Europa fica equilibrado?
Em doméstico, a LATAM não tem fuel surcharge — só taxa de embarque. Em Europa, há YQ moderado da própria LATAM, então a diferença pra Iberia Avios diminui. Mas Latam Pass ainda costuma sair na frente em CPM total porque o número de milhas no anúncio é proporcionalmente menor.
Fontes consultadas
- ANAC — Lista de taxas de embarque dos aeroportos brasileiros (consulta 27/05/2026, anac.gov.br)
- Smiles — Simulador de passagem (smiles.com.br), consulta 27/05/2026, trecho GRU-REC e GRU-LIS
- Latam Pass — Simulador (latampass.latam.com), consulta 27/05/2026
- TudoAzul — Simulador (voeazul.com.br/tudoazul), consulta 27/05/2026
- Iberia Plus Avios — Calculator (iberia.com/iberiaplus), consulta 27/05/2026
- Flying Blue — Award Calculator (flyingblue.com), consulta 27/05/2026
- IATA — Fuel Surcharge Annual Report 2026 (publicado em março/2026)
Escrito por
Jhonathan Meireles
Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.


