quarta-feira, 17 de junho de 2026
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Menor desacompanhado em voo: o que a ANAC exige e quanto cada companhia cobra pela assistência

Seu filho vai voar sozinho? A Resolução 400 da ANAC define faixa etária, obrigações das companhias e documentação mínima — mas cada aérea fixa a taxa de UM do jeito que quer. Entenda as regras antes de emitir com milhas.

Jhonathan Meireles 7 min de leitura
Criança com mochila pequena sendo acompanhada por comissária de bordo em corredor de aeroporto
Criança com mochila pequena sendo acompanhada por comissária de bordo em corredor de aeroporto

A passagem estava emitida: 45 mil milhas Smiles, GRU-FOR, julho, voo de 3h15. Uma boa redenção. O problema apareceu só depois, na hora de fazer o check-in online — o sistema bloqueou porque o passageiro tinha 9 anos e ia viajar sem adulto. A família ligou pra Gol, esperou 40 minutos na fila, e descobriu que precisava de formulário específico, autorização notarizada de ambos os pais e uma taxa de R$ 180 de “serviço de UM” que, adivinha, não estava inclusa na emissão em milhas.

Esse é um dos buracos mais comuns em planejamento de viagem com pontos: a taxa e a documentação do menor desacompanhado não aparecem no simulador de redenção, e você só esbarra nelas no dia do check-in ou, pior, no portão de embarque.

A versão de 30 segundos

A ANAC obriga todas as companhias a oferecer serviço de menor desacompanhado para crianças entre 5 e 14 anos. O serviço inclui acompanhamento desde o check-in até a entrega para o responsável no destino. A documentação mínima é obrigatória por lei. A taxa, porém, é definida livremente por cada aérea — e varia de R$ 120 a R$ 290 por trecho em 2026. Emissão em milhas não isenta dessa taxa: ela é cobrada em reais à parte, igual a uma taxa de embarque.

Conceito 1 — O que a Resolução 400 obriga (e o que deixa em aberto)

A Resolução 400/2016 da ANAC, no artigo 38, estabelece que as companhias aéreas são obrigadas a oferecer serviço de assistência a menor desacompanhado nas seguintes condições:

  • Criança entre 5 e 11 anos e 11 meses: o serviço é obrigatório e a criança não pode embarcar sem ele. Não é opcional.
  • Adolescente entre 12 e 14 anos: o serviço é obrigatório quando solicitado pelos pais ou responsáveis. Se os pais não solicitarem e a companhia aceitar o embarque, a responsabilidade passa a ser debatida.
  • Acima de 14 anos: tratado como adulto para fins de embarque. A assistência pode ser solicitada, mas não é obrigatória para a companhia oferecer.

O que a ANAC não regulamenta é o valor da taxa. A agência exige o serviço, não o preço. Isso explica a variação enorme entre aéreas — e é onde mora a armadilha pra quem planeja com antecedência usando pontos acumulados.

A companhia também é obrigada a garantir que a entrega da criança no destino só aconteça para a pessoa previamente designada pelo responsável. Se essa pessoa não aparecer, a aérea deve acionar as autoridades e não pode simplesmente deixar a criança no aeroporto. Na prática, isso significa que você precisa nomear um responsável adulto específico no momento do check-in — nome completo, CPF, parentesco — e essa pessoa precisa estar no desembarque com documento.

Conceito 2 — Documentação que ninguém te conta até o check-in

A lista documental varia por companhia, mas o núcleo exigido pela ANAC é:

  1. Autorização de viagem assinada pelos pais ou responsáveis legais. Se ambos os pais estiverem vivos e com guarda, ambos precisam assinar — mesmo que um seja o acompanhante que vai levar ao aeroporto.
  2. Reconhecimento de firma em cartório (exigência das companhias, não da ANAC diretamente, mas padrão do mercado para destinos nacionais).
  3. Documento de identificação da criança — RG, certidão de nascimento ou passaporte.
  4. Dados completos do responsável no destino: nome, CPF, parentesco, telefone de contato no dia do voo.
  5. Formulário próprio de UM de cada companhia, preenchido no aeroporto de origem.

Atenção ao ponto que mais causa surpresa: se os pais são divorciados e só um tem guarda exclusiva, um documento judicial comprovando isso precisa estar junto — ou a aérea pode bloquear o embarque por segurança, independentemente de qualquer argumento na hora.

Latam e Gol publicam seus formulários de UM no site. Azul distribui apenas no balcão. Recomendo ligar ou acessar o site da companhia 72h antes para confirmar o formulário e trazer impresso — perder 1h no balcão no dia do voo por causa de um formulário é mais comum do que parece.

Conceito 3 — Quanto cada companhia cobra e o que inclui

Aqui estão os valores praticados pelas três principais companhias domésticas em junho de 2026, por trecho (ida e volta cobra em dobro):

CompanhiaTaxa UM (por trecho)Faixa etária obrigatóriaVoos diretos apenas?
GolR$ 1805 a 14 anosSim — sem conexão automática
LatamR$ 2205 a 14 anosNão — aceita conexão com assistência
AzulR$ 1505 a 14 anosSim — sem conexão

Fontes: tabelas de serviços Gol (gol.com.br), Latam (latamairlines.com) e Azul (voeazul.com.br), acessadas em junho de 2026.

Dois pontos críticos na tabela acima:

Primeiro: a Latam aceita crianças em voos com conexão, mas exige que o tempo de conexão seja de pelo menos 2h e que exista pessoal de assistência credenciado no aeroporto intermediário. Na prática, isso limita muito as opções de conexão — confirme antes de emitir.

Segundo: Gol e Azul só aceitam UM em voos diretos. Isso tem impacto imediato em emissão com milhas: se o voo disponível no estoque do Smiles ou TudoAzul envolve escala, a criança não pode embarcar sozinha por essas companhias. O estoque de voos diretos em milhas geralmente é mais restrito — planejar com 3 a 4 meses de antecedência aumenta muito as opções.

Na minha leitura, a Latam tem a melhor política operacional para UM, mesmo com a taxa mais alta. A flexibilidade de aceitar conexão com assistência vale o diferencial de R$ 40-70 a mais por trecho se o roteiro tiver escala — o custo de um voo direto mais caro muitas vezes supera a diferença da taxa.

Onde isso falha

O serviço de UM tem dois pontos cegos que a regulamentação não cobre bem:

Atrasos e cancelamentos: se o voo da criança for cancelado, a companhia fica com a responsabilidade de guarda até resolução. Mas o processo de reacomodação com UM é mais lento — a companhia precisa notificar o responsável no destino e aguardar confirmação antes de remanejar. Já vi relatos de crianças esperando mais de 5h em sala de assistência por conta disso.

Emissão em milhas com parceira: se você emite a passagem em Smiles para um voo Gol, a taxa de UM precisa ser paga diretamente à Gol no balcão — o Smiles não a processa. O mesmo vale para emissões via Latam Pass em voos com parceiras. Essa informação raramente aparece no fluxo de emissão.

Se você está planejando uma viagem com a criança e quer entender melhor os custos totais, vale cruzar essa conta com as taxas de emissão por programa que cada companhia cobra — porque a taxa de UM é cobrada sobre o valor total do serviço, separada de taxas aeroportuárias.

E antes de emitir, cheque como funciona o cancelamento de passagem emitida com milhas: se alguma coisa mudar na viagem da criança e você precisar cancelar, as regras de reembolso das milhas e da taxa de UM são independentes — nem sempre a taxa de serviço é reembolsada mesmo que as milhas voltem.

Se você usa pontos acumulados para viagens em família, o guia de como compartilhar milhas entre familiares nos programas Smiles, Latam Pass e TudoAzul pode economizar tanto quanto saber a taxa de UM antes de emitir — os dois conhecimentos juntos fazem a diferença no planejamento.


Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.

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