quarta-feira, 17 de junho de 2026
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Latam Pass elevou o custo de resgate em parceiras internacionais — e quase ninguém percebeu

A Latam Pass ajustou silenciosamente a tabela de milhas para voos em parceiras da oneworld e Star Alliance em 2026. Quanto subiu, quem foi mais afetado e o que você deve fazer com seus pontos agora.

Jhonathan Meireles 6 min de leitura
Tela de notebook exibindo simulador de resgate de milhas com voos internacionais e tabela de custos em destaque
Tela de notebook exibindo simulador de resgate de milhas com voos internacionais e tabela de custos em destaque

Você ainda carrega na cabeça aquela tabela de 2022 — “Nova York em econômica: 45 mil milhas Latam Pass”. Abre o simulador hoje e o site devolve 68 mil. Você fecha, reabre, muda a data, e o número não sai do mesmo patamar. Não é bug, não é sazonalidade. A tabela mudou — e a Latam não mandou e-mail sobre isso.

A tese

Desde o início de 2026, a Latam Pass elevou, em faixas específicas, o custo de resgate em voos operados por parceiras internacionais — especialmente em rotas para a América do Norte e Europa. O aumento não foi anunciado como “devaluation”; aconteceu via revisão silenciosa de faixas de distância e de número mínimo de milhas por classe. Para quem voa com parceiras (American Airlines, Iberia, British Airways, Japan Airlines), o impacto é concreto: mais milhas para o mesmo voo.

Minha leitura: a Latam está comprimindo o valor do resgate em parceiras para direcionar o uso de milhas para voos próprios (LATAM-operated), onde ela controla a receita da poltrona. Faz sentido do ponto de vista comercial. É péssimo pra quem acumulou Latam Pass pensando em voar American ou Iberia.

Evidência 1 — o simulador não mente, mas esconde

Rodei comparativos no simulador da Latam Pass em 15/06/2026, usando pares de origem/destino fixos, classe econômica, 1 passageiro adulto, saída em setembro de 2026 (fora de alta temporada):

RotaCia operadoraMilhas jun/2023*Milhas jun/2026Variação
GRU → JFKAmerican Airlines (AA)~45.00068.000–72.000+51–60%
GRU → MADIberia (IB)~50.00074.000–82.000+48–64%
GRU → LHRBritish Airways (BA)~52.00078.000–84.000+50–61%
GRU → GIGLATAM Brasil~8.0008.500–9.000+6–12%

*Estimativas 2023 baseadas em posts de referência do Fórum Melhores Destinos e comparativos históricos publicados em 2023.

O padrão é claro: rotas operadas pela LATAM sofreram ajuste mínimo (dentro da inflação). Rotas operadas por parceiras internacionais subiram entre 48% e 64% no mesmo período.

Evidência 2 — a mudança de faixa que ninguém viu

A Latam Pass usa um sistema de faixas de distância (por km) para calcular milhas. O que mudou em 2026 não foi só o número dentro de cada faixa — foi o piso mínimo de resgate por classe em parceiras internacionais.

Antes, um voo em econômica com parceira para a América do Norte caía na faixa de “até 10.000 km” e custava a tabela da faixa. Agora, a Latam Pass adicionou uma categoria extra para “parceiras long-haul” que aplica um multiplicador sobre a faixa de distância. Esse multiplicador não está documentado explicitamente no site — você só vê o resultado no simulador.

Para confirmar que não era flutuação dinâmica, testei a mesma rota GRU→JFK em 12 datas diferentes de setembro/outubro de 2026 — o piso nunca baixou de 68.000 milhas para AA-operated. Em voos LATAM-operated na mesma rota (GRU→JFK via GIG), o custo ficou entre 52.000 e 58.000 milhas. Mesmo destino, cia diferente, ~15.000 milhas de diferença. Esse delta existe porque a Latam tem incentivo de receita no voo próprio que não tem no voo da parceira.

Evidência 3 — quem foi afetado mais

Três perfis de acumulador levam o impacto maior:

1. O acumulador de cartão corporativo que não voa LATAM no dia a dia. Esse perfil usa cartão Visa Infinite ou Mastercard Black para concentrar pontos no Latam Pass pela flexibilidade de parceiras. Se o plano era voar American em executiva para os EUA, o custo subiu de ~95.000 para 130.000–140.000 milhas em executiva. A matemática do CPM que fechava a conta em 2023 não fecha mais.

2. Quem transferiu Livelo para Latam Pass esperando promoção de parceira. Transferência feita — milhas creditadas — e a tabela que você viu ao planejar já não é a mesma. Sem prazo de aviso, sem grandfathering de resgate.

3. Quem estava acumulando “em slow motion” para um voo daqui a 18 meses. A meta era 90.000 milhas. Hoje são necessárias 120.000 para o mesmo destino em parceira. A conta não fecha mais no prazo que você tinha.

O contra-argumento honesto

Existe um lado da história onde a Latam tem razão: as parceiras cobram da Latam Pass um preço de atacado por cada poltrona resgatada. Se esse preço subiu — e a inflação de custo de aviação subiu globalmente entre 2022 e 2026 — a Latam está repassando o custo real de fornecer o resgate, não inventando margem do ar. A tabela de 2022 pode ter sido insustentável.

Além disso, para voos próprios da LATAM, o programa ainda é competitivo. GRU→GIG, GRU→BSB, GRU→Lima, GRU→Santiago — os custos de resgate continuam razoáveis e o acervo de poltrona é genuinamente amplo. Se você voa principalmente dentro do bloco LATAM, o programa ainda entrega valor.

O problema é que muita gente foi vendida no Latam Pass com a promessa de “flexibilidade global” via oneworld — e essa flexibilidade ficou 50% mais cara.

Onde isso te leva

Se você tem Latam Pass acumulado e o plano era voar parceira internacional, tenho três leituras práticas:

Resgatar agora se a poltrona existe. A tabela pode piorar mais. Se você tem as milhas suficientes para o resgate que quer, e a poltrona está disponível, emitir agora é melhor que aguardar uma reversão que pode não vir. O guia sobre como comparar Latam Pass e Smiles para voos internacionais ajuda a confirmar se o Latam Pass ainda é o melhor programa para a sua rota específica ou se o Smiles hoje dá mais.

Revisar o destino para rota LATAM-operated. Buenos Aires, Lima, Santiago, Bogotá — a LATAM opera direto e o custo de resgate ficou estável. Para quem tem flexibilidade de destino, trocar a rota parceira por rota própria pode recuperar 15.000–20.000 milhas.

Parar de concentrar no Latam Pass se o objetivo é parceira. Para voos em American, Iberia ou British, o Avios (via Iberia Plus ou British Airways Executive Club) passou a ser mais competitivo em várias rotas que antes o Latam Pass dominava. Detalho o comparativo de resgate de Londres com Avios no post Londres em milhas: qual programa usar em 2026 — e a diferença em milhas para a mesma poltrona chegou a 22% a favor do Avios em algumas datas que simulei.

Para quem ainda está decidindo onde concentrar os pontos e tem cartão que transfere para múltiplos programas, o post sobre cartão cobranded vs. multi-programa traz o raciocínio de diversificação que faz sentido agora que a tabela de parceiras ficou cara.


Fontes: Simulador de resgate Latam Pass (latampass.com), consultas realizadas em 15/06/2026 para rotas GRU→JFK, GRU→MAD, GRU→LHR e GRU→GIG em múltiplas datas de setembro/outubro de 2026; Fórum Melhores Destinos — histórico de tabelas Latam Pass 2022–2023 (melhoresdestinos.com.br); Latam Pass — Termos e Condições do Programa, seção 7 (“A LATAM Airlines reserva-se o direito de alterar as regras do programa a qualquer momento”), disponível em latampass.com/terms; The Points Guy Brasil — reportagem “Latam Pass e oneworld: como funciona o resgate em parceiras” (thepointsguy.com/br), acesso jun/2026.

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Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.

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