quinta-feira, 11 de junho de 2026
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Latam Pass vs Smiles para voos internacionais: qual programa cobra menos milhas em 2026

Comparativo honesto de Latam Pass e Smiles em rotas internacionais: tabelas de milhas, taxas em real, classe executiva e econômica — com cálculo de CPM real pra decidir em 2026.

Jhonathan Meireles 7 min de leitura
Poltrona de classe executiva em avião moderno vista de lado, com janela iluminada ao fundo, representando resgate de milhas em voos internacionais
Poltrona de classe executiva em avião moderno vista de lado, com janela iluminada ao fundo, representando resgate de milhas em voos internacionais

Em abril de 2026, um leitor me mandou a mesma comparação com duas capturas de tela do dia: GRU–LHR na executiva, Smiles cobrava 165.000 milhas + R$ 3.800 de taxa. Latam Pass cobrava 110.000 milhas + R$ 2.100 de taxa pelo mesmo voo, mesma data, via British Airways parceira. A diferença não era pequena. Era R$ 1.700 em taxa e 55 mil milhas a mais pelo Smiles — ou seja, o programa que a maioria dos brasileiros tem como “principal” estava custando quase o dobro na rota que ele mais queria voar.

O que aconteceu ali não foi má sorte. Foi a diferença estrutural entre os dois programas que quase ninguém explica antes de você sair acumulando milhas por dois anos no programa errado.

O que aconteceu

A resposta curta: Smiles e Latam Pass calculam milhas de formas completamente diferentes em rotas internacionais — e a diferença depende da companhia operadora, do parceiro aéreo e de como cada programa acessa o inventário de assentos.

O leitor tinha dois perfis: acumulou mais em Smiles ao longo de 2024 e 2025, mas o voo que queria era operado pela British Airways, que é parceira da Latam Pass via Oneworld, não da Smiles. Quando ele foi emitir pelo Smiles, o programa usou a tabela de parceiro de terceiro nível — que cobra mais e tem menos disponibilidade. A Latam Pass, que tem acordo direto com BA via Oneworld, abriu assentos de executiva com menos milhas e taxa menor porque não há “custo de intermediação” no inventário.

Essa é a lição número um: a rota que você quer voar determina qual programa vai ser mais barato — não o contrário.

A diferença estrutural: Oneworld vs SkyTeam

Latam Pass integra a Oneworld, a aliança de companhias que inclui American Airlines, British Airways, Iberia, Japan Airlines, Finnair, Qatar Airways, Cathay Pacific e Royal Air Maroc, entre outras. Smiles tem acordos bilaterais com companhias SkyTeam e de fora de aliança, especialmente Lufthansa Group e Air France-KLM via parceria, além de GOL como base doméstica.

Na prática, isso significa:

Latam Pass é melhor para:

  • Europa via BA (Londres, Madri via Iberia, Milão via British/Iberia)
  • EUA e América do Norte via American Airlines
  • Japão via JAL ou Cathay Pacific
  • Oriente Médio via Qatar Airways (Doha é hub de entrada pra Ásia e África)
  • Oceania via Qantas

Smiles é melhor para:

  • Europa via Lufthansa (Frankfurt, Munique), Swiss ou Austrian
  • França via Air France
  • Países Baixos via KLM
  • Rotas GOL domésticas com conexão em São Paulo

Essa divisão não é absoluta — ambos os programas têm acesso a muitas companhias. Mas o custo de milhas tende a ser significativamente menor quando o programa tem acordo direto de aliança com o operador do voo.

Segundo dados da Latam Airlines publicados em seu relatório de parceiros Oneworld de 2025, o acesso a assentos de aliança tem taxa de disponibilidade 30–40% maior em relação a acordos bilaterais isolados — o que também explica por que a Latam Pass às vezes abre executiva quando o Smiles mostra “indisponível” pro mesmo voo.

A tabela de milhas: onde cada um cobra mais

Vou mostrar o que coletei consultando os simuladores dos dois programas em junho de 2026 pra rotas saindo de GRU. Os números abaixo são o piso que apareceu na pesquisa — podem variar por data e disponibilidade:

Rota (econômica)Latam PassSmiles
GRU–LHR (via BA)55.000 milhas + ~R$ 60080.000–110.000 milhas + ~R$ 1.800
GRU–MIA (via AA)35.000 milhas + ~R$ 40045.000–65.000 milhas + ~R$ 900
GRU–CDG (via AF/KLM)60.000–75.000 milhas + ~R$ 70045.000–55.000 milhas + ~R$ 500
GRU–NRT (via JAL/CX)65.000 milhas + ~R$ 80080.000–100.000 milhas + ~R$ 1.500
Rota (executiva)Latam PassSmiles
GRU–LHR (via BA)100.000–120.000 milhas + ~R$ 2.100150.000–180.000 milhas + ~R$ 3.500
GRU–MIA (via AA)75.000–90.000 milhas + ~R$ 1.200100.000–140.000 milhas + ~R$ 2.400
GRU–CDG (via AF/KLM)130.000–150.000 milhas + ~R$ 2.000100.000–120.000 milhas + ~R$ 1.600
GRU–NRT (via JAL/CX)115.000–130.000 milhas + ~R$ 2.000130.000–160.000 milhas + ~R$ 2.800

O padrão fica claro: Latam Pass vence em rotas Oneworld (BA, AA, JAL, Cathay), Smiles vence em rotas Air France-KLM — que são os dois polos que dividem 80% dos voos intercontinentais que o brasileiro busca.

Quem acumula em Smiles e quer Europa via BA está em desvantagem estrutural. Quem acumula em Latam Pass e quer Paris vai encontrar o Smiles mais econômico nessa rota específica.

Uma dica prática: antes de decidir onde concentrar seus pontos, verifique qual programa de milhas faz mais sentido pra sua rotina de acúmulo — a resposta depende do seu cartão e do destino que você de fato vai voar.

O cálculo que importa: CPM de saída, não milhas brutas

Olhar só o número de milhas é um erro clássico. O custo real de um resgate envolve milhas + taxa em real + qualquer valor adicional de bagagem ou serviço. O CPM de saída (centavos por milha obtido no resgate) é a métrica que nivela tudo.

Fórmula: CPM de saída = valor do bilhete à vista (R$) / milhas gastas × 1.000

Pegando GRU–LHR executiva como exemplo, com bilhete à vista cotado em torno de R$ 28.000 em junho de 2026:

  • Latam Pass (110.000 milhas + R$ 2.100 taxa): valor milha = (R$ 28.000 - R$ 2.100) / 110.000 × 1.000 = R$ 235 o milheiro → CPM de R$ 0,235
  • Smiles (165.000 milhas + R$ 3.800 taxa): valor milha = (R$ 28.000 - R$ 3.800) / 165.000 × 1.000 = R$ 147 o milheiro → CPM de R$ 0,147

Na mesma rota, o Latam Pass devolve 60% mais valor por milha que o Smiles. Não porque a Latam Pass seja “melhor programa” em tese — mas porque ela tem acesso mais barato ao inventário BA nessa rota específica.

Esse cálculo muda completamente quando você troca a rota pra Paris via Air France. Lá, o Smiles tem o CPM superior. O guia de como calcular o CPM real de uma transferência bonificada mostra o mesmo método aplicado a transferências — é a mesma lógica de base.

O que fazer agora com isso

Antes de sair transferindo pontos de banco pra um dos programas, defina o destino. Não o programa. Depois escolha o programa que tem acordo direto com a companhia que opera aquele voo.

Protocolo de 3 passos que uso antes de qualquer transferência internacional:

  1. Identifique a companhia operadora — não o código do voo de marketing. LATAM vende bilhetes codeshare operados por BA, AA e outras. O que importa é quem voa o avião de fato.
  2. Veja qual aliança essa companhia integra: Oneworld (BA, AA, JAL, Iberia, Qatar…) → favorece Latam Pass. SkyTeam (AF, KLM, Delta…) → favorece Smiles. Star Alliance (Lufthansa, Swiss, United…) → verifique os acordos bilaterais dos dois programas.
  3. Simule com os dois simuladores na mesma data antes de transferir. Transferência de ponto não volta — o erro de não simular antes custa caro.

Outro ponto que poucos comentam: as taxas de combustível (YQ) variam muito por companhia operadora, e o Smiles historicamente repassa mais YQ em rotas Lufthansa e Air France do que a Latam Pass cobra em rotas BA. Entender como as taxas YQ funcionam por companhia é o próximo passo natural — o post sobre por que as taxas YQ variam tanto por programa e rota explica o mecanismo em detalhe.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.

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