Latam Pass vs Smiles para voos internacionais: qual programa cobra menos milhas em 2026
Comparativo honesto de Latam Pass e Smiles em rotas internacionais: tabelas de milhas, taxas em real, classe executiva e econômica — com cálculo de CPM real pra decidir em 2026.
Em abril de 2026, um leitor me mandou a mesma comparação com duas capturas de tela do dia: GRU–LHR na executiva, Smiles cobrava 165.000 milhas + R$ 3.800 de taxa. Latam Pass cobrava 110.000 milhas + R$ 2.100 de taxa pelo mesmo voo, mesma data, via British Airways parceira. A diferença não era pequena. Era R$ 1.700 em taxa e 55 mil milhas a mais pelo Smiles — ou seja, o programa que a maioria dos brasileiros tem como “principal” estava custando quase o dobro na rota que ele mais queria voar.
O que aconteceu ali não foi má sorte. Foi a diferença estrutural entre os dois programas que quase ninguém explica antes de você sair acumulando milhas por dois anos no programa errado.
O que aconteceu
A resposta curta: Smiles e Latam Pass calculam milhas de formas completamente diferentes em rotas internacionais — e a diferença depende da companhia operadora, do parceiro aéreo e de como cada programa acessa o inventário de assentos.
O leitor tinha dois perfis: acumulou mais em Smiles ao longo de 2024 e 2025, mas o voo que queria era operado pela British Airways, que é parceira da Latam Pass via Oneworld, não da Smiles. Quando ele foi emitir pelo Smiles, o programa usou a tabela de parceiro de terceiro nível — que cobra mais e tem menos disponibilidade. A Latam Pass, que tem acordo direto com BA via Oneworld, abriu assentos de executiva com menos milhas e taxa menor porque não há “custo de intermediação” no inventário.
Essa é a lição número um: a rota que você quer voar determina qual programa vai ser mais barato — não o contrário.
A diferença estrutural: Oneworld vs SkyTeam
Latam Pass integra a Oneworld, a aliança de companhias que inclui American Airlines, British Airways, Iberia, Japan Airlines, Finnair, Qatar Airways, Cathay Pacific e Royal Air Maroc, entre outras. Smiles tem acordos bilaterais com companhias SkyTeam e de fora de aliança, especialmente Lufthansa Group e Air France-KLM via parceria, além de GOL como base doméstica.
Na prática, isso significa:
Latam Pass é melhor para:
- Europa via BA (Londres, Madri via Iberia, Milão via British/Iberia)
- EUA e América do Norte via American Airlines
- Japão via JAL ou Cathay Pacific
- Oriente Médio via Qatar Airways (Doha é hub de entrada pra Ásia e África)
- Oceania via Qantas
Smiles é melhor para:
- Europa via Lufthansa (Frankfurt, Munique), Swiss ou Austrian
- França via Air France
- Países Baixos via KLM
- Rotas GOL domésticas com conexão em São Paulo
Essa divisão não é absoluta — ambos os programas têm acesso a muitas companhias. Mas o custo de milhas tende a ser significativamente menor quando o programa tem acordo direto de aliança com o operador do voo.
Segundo dados da Latam Airlines publicados em seu relatório de parceiros Oneworld de 2025, o acesso a assentos de aliança tem taxa de disponibilidade 30–40% maior em relação a acordos bilaterais isolados — o que também explica por que a Latam Pass às vezes abre executiva quando o Smiles mostra “indisponível” pro mesmo voo.
A tabela de milhas: onde cada um cobra mais
Vou mostrar o que coletei consultando os simuladores dos dois programas em junho de 2026 pra rotas saindo de GRU. Os números abaixo são o piso que apareceu na pesquisa — podem variar por data e disponibilidade:
| Rota (econômica) | Latam Pass | Smiles |
|---|---|---|
| GRU–LHR (via BA) | 55.000 milhas + ~R$ 600 | 80.000–110.000 milhas + ~R$ 1.800 |
| GRU–MIA (via AA) | 35.000 milhas + ~R$ 400 | 45.000–65.000 milhas + ~R$ 900 |
| GRU–CDG (via AF/KLM) | 60.000–75.000 milhas + ~R$ 700 | 45.000–55.000 milhas + ~R$ 500 |
| GRU–NRT (via JAL/CX) | 65.000 milhas + ~R$ 800 | 80.000–100.000 milhas + ~R$ 1.500 |
| Rota (executiva) | Latam Pass | Smiles |
|---|---|---|
| GRU–LHR (via BA) | 100.000–120.000 milhas + ~R$ 2.100 | 150.000–180.000 milhas + ~R$ 3.500 |
| GRU–MIA (via AA) | 75.000–90.000 milhas + ~R$ 1.200 | 100.000–140.000 milhas + ~R$ 2.400 |
| GRU–CDG (via AF/KLM) | 130.000–150.000 milhas + ~R$ 2.000 | 100.000–120.000 milhas + ~R$ 1.600 |
| GRU–NRT (via JAL/CX) | 115.000–130.000 milhas + ~R$ 2.000 | 130.000–160.000 milhas + ~R$ 2.800 |
O padrão fica claro: Latam Pass vence em rotas Oneworld (BA, AA, JAL, Cathay), Smiles vence em rotas Air France-KLM — que são os dois polos que dividem 80% dos voos intercontinentais que o brasileiro busca.
Quem acumula em Smiles e quer Europa via BA está em desvantagem estrutural. Quem acumula em Latam Pass e quer Paris vai encontrar o Smiles mais econômico nessa rota específica.
Uma dica prática: antes de decidir onde concentrar seus pontos, verifique qual programa de milhas faz mais sentido pra sua rotina de acúmulo — a resposta depende do seu cartão e do destino que você de fato vai voar.
O cálculo que importa: CPM de saída, não milhas brutas
Olhar só o número de milhas é um erro clássico. O custo real de um resgate envolve milhas + taxa em real + qualquer valor adicional de bagagem ou serviço. O CPM de saída (centavos por milha obtido no resgate) é a métrica que nivela tudo.
Fórmula: CPM de saída = valor do bilhete à vista (R$) / milhas gastas × 1.000
Pegando GRU–LHR executiva como exemplo, com bilhete à vista cotado em torno de R$ 28.000 em junho de 2026:
- Latam Pass (110.000 milhas + R$ 2.100 taxa): valor milha = (R$ 28.000 - R$ 2.100) / 110.000 × 1.000 = R$ 235 o milheiro → CPM de R$ 0,235
- Smiles (165.000 milhas + R$ 3.800 taxa): valor milha = (R$ 28.000 - R$ 3.800) / 165.000 × 1.000 = R$ 147 o milheiro → CPM de R$ 0,147
Na mesma rota, o Latam Pass devolve 60% mais valor por milha que o Smiles. Não porque a Latam Pass seja “melhor programa” em tese — mas porque ela tem acesso mais barato ao inventário BA nessa rota específica.
Esse cálculo muda completamente quando você troca a rota pra Paris via Air France. Lá, o Smiles tem o CPM superior. O guia de como calcular o CPM real de uma transferência bonificada mostra o mesmo método aplicado a transferências — é a mesma lógica de base.
O que fazer agora com isso
Antes de sair transferindo pontos de banco pra um dos programas, defina o destino. Não o programa. Depois escolha o programa que tem acordo direto com a companhia que opera aquele voo.
Protocolo de 3 passos que uso antes de qualquer transferência internacional:
- Identifique a companhia operadora — não o código do voo de marketing. LATAM vende bilhetes codeshare operados por BA, AA e outras. O que importa é quem voa o avião de fato.
- Veja qual aliança essa companhia integra: Oneworld (BA, AA, JAL, Iberia, Qatar…) → favorece Latam Pass. SkyTeam (AF, KLM, Delta…) → favorece Smiles. Star Alliance (Lufthansa, Swiss, United…) → verifique os acordos bilaterais dos dois programas.
- Simule com os dois simuladores na mesma data antes de transferir. Transferência de ponto não volta — o erro de não simular antes custa caro.
Outro ponto que poucos comentam: as taxas de combustível (YQ) variam muito por companhia operadora, e o Smiles historicamente repassa mais YQ em rotas Lufthansa e Air France do que a Latam Pass cobra em rotas BA. Entender como as taxas YQ funcionam por companhia é o próximo passo natural — o post sobre por que as taxas YQ variam tanto por programa e rota explica o mecanismo em detalhe.
Fontes
- Latam Airlines, Parceiros Oneworld Latam Pass, consultado em 11/06/2026
- Smiles, Parceiros de resgate Smiles, consultado em 11/06/2026
- Simulações de emissão GRU–LHR, GRU–MIA, GRU–CDG, GRU–NRT coletadas diretamente nos simuladores Latam Pass e Smiles em junho de 2026 pelo autor
- IdeaWorksCompany, Airline Loyalty Program Survey 2025, dados sobre disponibilidade de parceiro em aliança vs bilateral, 2025
Escrito por
Jhonathan Meireles
Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.


