segunda-feira, 6 de julho de 2026
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A partir de quantos % de bônus vale transferir? O piso real por programa em 2026

Bônus de 60% num programa pode valer mais que 100% em outro. Montei o piso de bônus que vira lucro de verdade em Smiles, Latam Pass e Azul — com a conta que mostra por que o número do banner engana.

Letícia Ribas 6 min de leitura
Pessoa segurando smartphone com app de pontos aberto, decidindo se aceita o bônus de transferência
Pessoa segurando smartphone com app de pontos aberto, decidindo se aceita o bônus de transferência

Toda terça à noite chega no meu direct a mesma pergunta vestida de roupa diferente: “Letícia, saiu bônus de 80% pra Smiles, vale?”. E eu respondo com outra pergunta que deixa a pessoa sem graça: 80% sobre o quê? Porque 80% num pacote que já custou caro pra acumular pode ser prejuízo, e 60% num programa onde a milha resgata bem pode ser o melhor negócio do mês.

O número do banner não diz nada sozinho. O que decide é o piso de bônus de cada programa — o percentual abaixo do qual transferir te coloca em desvantagem frente a comprar a milha direto ou pagar a passagem em dinheiro. Esse piso muda por programa, e quase ninguém calcula. Vou montar o meu, com a conta na sua frente.

O que importa decidir antes do percentual

O piso de bônus depende de três variáveis. Antes de olhar qualquer banner, eu checo estas:

  1. Quanto custou o ponto de origem. Ponto Livelo ou Esfera comprado em promoção de 50% off custa diferente de ponto que caiu de gasto no cartão. O bônus se aplica sobre uma base — e a base muda tudo.
  2. Quanto a milha de destino resgata na prática. Smiles, Latam Pass e Azul Fidelidade têm valores de emissão muito diferentes por rota. Milha que resgata a R$ 0,030 aguenta um bônus menor; milha que só rende R$ 0,018 precisa de bônus alto pra fechar a conta.
  3. Qual o seu CPM-alvo de saída. É o custo por milha que você aceita pagar pra que a emissão futura valha frente ao dinheiro. Se você não tem esse número, aprenda a calcular o CPM real de uma transferência antes de seguir — sem ele, qualquer bônus parece bom.

A conta do piso: como cheguei nos números

Aqui está o meu raciocínio, e você pode refazer com a sua realidade. Parto de um cenário comum em 2026: ponto Livelo recomprado a cerca de R$ 20 o milheiro via Clube Livelo numa promoção mediana. Ou seja, cada ponto custa R$ 0,020.

Quando você transfere com bônus de X%, cada ponto de origem vira (1 + X/100) milhas no destino. O CPM efetivo da milha de destino fica:

CPM destino = custo do ponto de origem ÷ (1 + bônus)

Com ponto a R$ 0,020:

  • Bônus de 60% → CPM destino = 0,020 ÷ 1,60 = R$ 0,0125
  • Bônus de 80% → CPM destino = 0,020 ÷ 1,80 = R$ 0,0111
  • Bônus de 100% → CPM destino = 0,020 ÷ 2,00 = R$ 0,0100
  • Bônus de 110% → CPM destino = 0,020 ÷ 2,10 = R$ 0,0095

Esse é o custo. O piso aparece quando você compara esse custo com o valor que a milha entrega em cada programa. Se a milha de destino resgata, em média de boas redenções, a um valor maior que o CPM efetivo, transferir é lucro. Se resgata abaixo, você queimou pontos.

Ranking: o bônus mínimo que vira lucro por programa

Montei a tabela com base no custo acima (ponto a R$ 0,020) e em valores médios de resgate que eu vejo nas emissões que acompanho em 2026. O valor de resgate é conservador — peguei o que uma redenção boa, não excepcional, entrega.

ProgramaValor médio de resgate (bom)CPM-alvo pra valerBônus mínimo que recomendo
Latam Pass~R$ 0,026 / milhaaté R$ 0,01860% já compensa
Smiles~R$ 0,022 / milhaaté R$ 0,01670% pra margem segura
Azul Fidelidade~R$ 0,020 / milhaaté R$ 0,01480% ou mais

Repare na inversão que o banner esconde: um bônus de 60% pra Latam Pass entrega CPM de R$ 0,0125 contra resgate de R$ 0,026 — folga enorme. Já um bônus de 80% pra Azul entrega CPM de R$ 0,0111 contra resgate de R$ 0,020 — margem bem mais apertada. O percentual maior não venceu. O programa decidiu.

Isso bate com o que discuti no comparativo de qual programa rende mais pro brasileiro: Latam Pass tem aguentado bônus menores justamente porque a milha dela ainda resgata bem em rotas América do Sul e parceiras.

Minha escolha e por quê

Se eu tivesse que cravar uma regra de bolso pra 2026, com ponto custando perto de R$ 0,020: não transfiro pra Smiles abaixo de 70%, nem pra Azul abaixo de 80%, mas aceito 60% pra Latam Pass quando tenho rota em vista.

O detalhe que muda tudo é a palavra “em vista”. Bônus alto sem destino definido vira ponto parado correndo risco de desvalorização — e ponto parado esperando bônus tem um custo silencioso que come a vantagem do percentual. Eu só desço pro piso quando já sei o que vou emitir. Sem rota, subo a régua: aí só me mexo com 100% ou mais, porque preciso de margem pra absorver desvalorização futura.

E se o seu ponto custou mais barato — digamos R$ 0,015 numa promo agressiva de compra — todo o piso desce junto. É por isso que comprar ponto em desconto e empilhar com bônus muda a régua inteira: a base menor faz um bônus de 60% render como um de 100% partindo de ponto caro.

Perguntas que chegam toda semana

Bônus de 100% sempre vale, não vale? Não. Cem por cento sobre ponto caro, pra programa que resgata mal, numa rota que você nem tem, é só dobrar um custo ruim. O percentual não é virtude — é multiplicador. Multiplicar uma base ruim dá um resultado ruim maior.

Então bônus baixo nunca presta? Presta quando o programa de destino resgata bem e você tem emissão definida. Latam Pass a 60% com voo marcado costuma ser melhor negócio que Azul a 90% sem destino. Conta antes, percentual depois.

Como sei o valor de resgate da minha milha? Pega uma emissão real que você faria — não a passagem dos sonhos — e divide o preço em dinheiro daquele voo (já tirando a taxa de embarque) pelas milhas que a cia cobra. Esse é o seu valor de resgate prático. É mais honesto que qualquer média de blog, incluindo a minha.

Fontes

L

Escrito por

Letícia Ribas

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

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