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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Redenções

Sweet spot em milhas: a conta por km que a lista esconde

Cinco resgates em executiva pareciam sweet spot pelo número de milhas. Refiz a conta por km voado e o ranking virou de cabeça pra baixo.

Marcos Hayama 5 min de leitura
Cabine de classe executiva de avião com poltronas reclináveis e tela individual
Cabine de classe executiva de avião com poltronas reclináveis e tela individual

Abri a lista de sugestões de executiva com o dedo já mirando a primeira opção: 11.400 milhas Smiles, a menor de todas, para ir de Boston a Montreal. Parecia óbvio — o número mais baixo da tela sempre parece o melhor negócio. Só fui perceber o erro semanas depois, comparando essa mesma emissão com uma que fiz para o Panamá, com quase onze vezes mais milhas no resgate. A conta que faltava não é “quantas milhas custa”. É quantas milhas custa por quilômetro voado — e essa conta muda o ranking inteiro.

O que a lista de sugestões mostra (e o que ela esconde)

O Passageiro de Primeira publicou cinco emissões em classe executiva pela Smiles, todas com parceiras internacionais, custo em milhas e taxa em real explícitos: Boston–Montreal por 11.400 milhas + R$ 213,24; Seul–Tóquio por 30.400 milhas + R$ 120,86; Nova York–Miami por 64.400 milhas + R$ 212,16; São Paulo–Santiago por 93.400 milhas + R$ 259,71; e Belo Horizonte–Panamá por 122.500 milhas + R$ 117,00 (fonte: Passageiro de Primeira, publicado 30/06/2026, tabela dinâmica da Smiles, sujeita a variação por data de busca).

Lida assim, em ordem de milhas gastas, a leitura natural é “a de Boston é a melhor, a do Panamá é cara demais”. Só que Smiles precifica de forma dinâmica por parceira e disponibilidade — não por distância. Comparar milhas absolutas sem olhar o trecho voado é comparar preço de aluguel de carro sem perguntar quantos dias.

A conta que ninguém faz: milhas por 1.000 km voado

Recalculei as cinco rotas dividindo o custo em milhas pela distância aproximada em linha reta entre os aeroportos (calculada a partir das coordenadas geográficas, não da rota real de voo — serve como régua comparativa, não como distância oficial de bilhete):

RotaMilhas SmilesTaxaDistância aprox.Milhas por 1.000 km
Boston–Montreal11.400R$ 213,24~400 km~28.500
Seul–Tóquio30.400R$ 120,86~1.250 km~24.300
Nova York–Miami64.400R$ 212,16~1.750 km~36.800
São Paulo–Santiago93.400R$ 259,71~2.600 km~35.900
Belo Horizonte–Panamá122.500R$ 117,00~5.000 km~24.500

O ranking inverte. A rota “mais barata” da lista (Boston–Montreal) é só a terceira melhor por quilômetro. As duas melhores de verdade são Seul–Tóquio e Belo Horizonte–Panamá — justamente a mais cara em milhas absolutas do grupo inteiro. E as piores, de longe, são Nova York–Miami e São Paulo–Santiago: pagam quase 50% mais milha por km que o sweet spot real.

Faço a mesma conta em reais pra confirmar. Hoje (10/08/2026) o milheiro Smiles sai a partir de R$ 15,70 transferindo Livelo + dinheiro (fonte: Passageiro de Primeira). Usando isso como régua de custo: Boston–Montreal sairia R$ 179,00 em milhas + R$ 213,24 de taxa = R$ 392,24 para ~400 km, ou R$ 0,98 por km. Belo Horizonte–Panamá sairia R$ 1.923,25 em milhas + R$ 117,00 de taxa = R$ 2.040,25 para ~5.000 km, ou R$ 0,41 por km — menos da metade. A rota que parecia cara na tela é, por quilômetro, o triplo mais barata que a “sweet spot” anunciada.

Por que isso importa pra você

Essa lógica funciona porque a Smiles precifica parceira por parceira, com disponibilidade que sobe e desce por data — é exatamente aí que existe sweet spot de verdade pra caçar. Já a LATAM Pass resolve isso de outro jeito: desde 02/03/2026, o resgate em parceiras usa tabela fixa por par de região, não por rota. Brasil para América do Sul em executiva custa 48.000 milhas fixas; Brasil para América do Norte, 135.000; Brasil para Europa, 201.600 — o mesmo valor independente de qual cidade dentro da região você escolhe (fonte: regulamento oficial LATAM Pass, classe executiva em parceiras).

Isso muda a estratégia: dentro da LATAM Pass, caçar “a cidade mais eficiente por km” dentro da mesma região não compensa — o preço já é fixo. É na Smiles, no Iupp e em outros programas de precificação dinâmica que a conta por km separa sweet spot real de armadilha de lista. Testei isso já usando tarifa comercial versus tarifa award na Smiles — o mesmo princípio de comparar unidade por unidade, não número absoluto.

O que fazer com isso agora

Antes de fechar a próxima emissão em executiva:

  1. Puxe a distância aproximada da rota (qualquer buscador de voo mostra) e divida o custo em milhas por ela — a régua é milhas por 1.000 km.
  2. Converta pro CPM do dia usando o milheiro de compra vigente do seu programa, não um valor antigo salvo no favorito.
  3. Confira se o programa usa tabela fixa (LATAM Pass) ou dinâmica (Smiles) — a caça por km só vale a pena na dinâmica.
  4. Compare pelo menos três datas antes de travar — a mesma rota muda de custo em milhas de um dia pro outro na Smiles.
  5. Considere escala versus conexão no mesmo cálculo: um trecho extra pode reduzir milhas totais sem mudar tanto o tempo de viagem.

Vale lembrar que preço dinâmico se move: a mesma tabela que mostrei aqui pode estar diferente semana que vem, e a Smiles já vem ajustando resgate internacional pra baixo do valor histórico há alguns anos — assunto que cobri com números na devaluation em dólar da Smiles. E antes de mover ponto de qualquer banco pro programa, vale checar se o CPM final ainda compensa frente ao risco de emitir ida e volta separadas, que é outro jeito comum de destruir o ganho que essa conta acabou de mostrar.

Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

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