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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Redenções

Assento na passagem de milhas: por que ainda cobram se você já pagou em pontos

Resgatei o mesmo tipo de voo em Smiles, LATAM Pass e TudoAzul só pra testar o mapa de assentos. Um deixou de graça até o fim, dois cobraram — e o valor mudou por status, tarifa e antecedência.

Marcos Hayama 6 min de leitura
Cabine de avião em classe econômica com fileiras de poltronas
Cabine de avião em classe econômica com fileiras de poltronas

Resgatei o mesmo trecho doméstico três vezes em três programas diferentes, só pra chegar na tela de assentos e ver o que acontecia. No primeiro, o mapa abriu com poltronas verdes, grátis, sem exigir nada além do check-in. No segundo, a maioria das fileiras tinha um cadeado com preço em real do lado — mesmo eu tendo pagado a passagem inteira em milhas. No terceiro, dependia só de uma coisa: se eu estava escolhendo com mais ou menos de 24 horas de antecedência do voo.

O que importa decidir antes de tentar escolher de graça

Assento grátis em passagem de milhas não é sorte, é uma combinação de cinco variáveis que você controla parcialmente:

A companhia que realmente vai operar o voo. Se o bilhete tem código compartilhado, quem define a política de assento é quem opera de fato, não o programa em que você resgatou — já vi gente brigando com a central errada por 20 minutos por causa disso.

Sua categoria de status. Elite alto costuma destravar assento padrão sem custo, independente de quando você compra ou resgata.

O perfil de tarifa do resgate. Nem toda milha resgatada é igual: existe a passagem “crua” e existe a versão com mais benefícios embutidos, e isso já aparece na hora de entender qual tarifa a Smiles está usando pra cobrar suas milhas.

A antecedência da escolha. Em pelo menos um programa grande, o relógio importa mais que o status: marcar de graça só é possível dentro de uma janela específica antes do voo.

Se vale usar milhas/pontos pra pagar a taxa em vez de dinheiro. Às vezes sim — quando os pontos estão perto de vencer e não iam virar mais nada de útil mesmo.

O que cada programa faz na prática

ProgramaQuando é grátisQuem paga taxaQuanto custaDá pra pagar com milhas/pontos?
SmilesComprando a Tarifa Turbinada na emissão (+5.500 milhas doméstico / +10.500 internacional) ou tendo categoria eliteQuem emitiu na tarifa padrão sem turbinarAssento avulso: R$ 39 a R$ 53 (doméstico)Sim — a própria Tarifa Turbinada é isso
LATAM PassTarifa Full ou Premium Economy/Business (assento incluso), ou status elevadoTarifa Light ou StandardPré-reserva “disponível para compra”, valor varia por rota e fileiraNão achei opção documentada de pagar em milhas separadamente do bilhete
TudoAzulÚltimas 24h antes do voo, no check-in online, pra qualquer passageiro; a qualquer momento pra Safira e DiamanteTarifa Promo ou Light, marcando com mais de 24h de antecedênciaR$ 31 a R$ 115 (doméstico); acima de R$ 300 em rotas internacionaisSim, mas o programa recomenda só se os pontos já estão perto de vencer — a conversão não compensa de outro jeito

O cálculo que ninguém mostra: na Tarifa Turbinada da Smiles, comprar separado — 1ª bagagem despachada (R$ 130, adquirida com 48h+ de antecedência) mais assento Standard (R$ 39 a R$ 53) — sai entre R$ 169 e R$ 183 em dinheiro. O upgrade de 5.500 milhas embute os dois. Numa conta conservadora de CPM em torno de R$ 0,016 a R$ 0,02 por milha, essas 5.500 milhas valem cerca de R$ 88 a R$ 110 — ou seja, a turbinada economiza de R$ 59 a R$ 95 frente à compra avulsa, mesmo contando o custo de oportunidade das milhas. A franquia de bagagem que entra nesse pacote muda por companhia, então vale conferir antes de fechar conta achando que é sempre a mesma coisa.

Minha escolha e por quê

Se eu não tenho status em nenhum dos três, a rota mais barata é a mais chata: espero as 24 horas antes do voo e marco de graça no check-in da Azul, aceitando o risco de sobrar só assento do meio. Na Smiles, olho o preço da tarifa turbinada antes de descartar — o cálculo acima mostra que ela quase sempre compensa se eu já ia despachar bagagem de qualquer forma; se eu só queria o assento, sem bagagem, geralmente não vale gastar milhas por isso. No LATAM Pass é onde eu simplesmente pago em dinheiro: com Tarifa Light ou Standard, prefiro guardar milhas pra outro resgate e resolver o assento com R$ 30, R$ 40 na hora, porque não achei forma de usar milhas isoladamente pra essa taxa — e não vou arriscar inventar um caminho que o próprio programa não documenta.

O ponto que mais me irrita, admito, não é pagar — é a falta de padrão. Três programas, três lógicas diferentes pra resolver a mesma dúvida (“onde eu sento”), e nenhum deles avisa isso antes de você confirmar o resgate. Você só descobre na tela seguinte.

Perguntas que aparecem toda vez

Dá pra escolher assento de graça na Azul sem ter status nenhum? Dá, mas só dentro da janela de 24 horas antes do voo, pelo check-in online. Antes disso, com tarifa Promo ou Light, o app cobra pra reservar antecipado.

Vale a pena pagar a Tarifa Turbinada da Smiles só pelo assento, sem precisar de bagagem despachada? Normalmente não — você está pagando por um pacote de duas coisas. Se só falta o assento, é mais barato resolver com o assento avulso em dinheiro (R$ 39 a R$ 53) do que gastar 5.500 milhas num upgrade que também inclui bagagem que você não vai usar.

Assento de saída de emergência cobra taxa mesmo em passagem paga com milhas? Sim, na maioria dos casos — e além da taxa, exige aptidão física e idade mínima por regra de segurança, algo que já gerou disputa registrada em reclamação de passageiro sobre assento pago. Não é bloqueio do programa de milhas, é regra de operação da companhia.

Se a companhia trocar o avião, eu perco o assento que já tinha marcado? Às vezes. Configuração de cabine muda por aeronave, e num codeshare a poltrona que você escolheu pode nem existir no avião real que aparece no check-in — vale reconferir o mapa 24-48h antes se o voo tiver qualquer sinal de operação compartilhada.

Se o seu problema é diferente — não é escolher onde sentar, é entender por que sua milhagem não fechou o resgate inteiro sem gastar dinheiro extra — o assento é só uma fração da conta. Cada companhia decide sozinha o que embute na passagem e o que cobra à parte, e essa lógica se repete em quase toda taxa acessória do resgate.

Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

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