Avios em voos curtos na América do Sul: por que ele bate Smiles e LATAM Pass em 2026
A tese impopular: para trechos curtos como GRU-EZE, GRU-SCL e GRU-MVD, juntar Avios via Qatar/Iberia paga melhor que Smiles ou LATAM Pass. CPM real, taxa em real e onde a conta desmonta.
Todo grupo de WhatsApp de milhas repete o mesmo mantra: brasileiro tem que acumular Smiles e LATAM Pass, ponto. Avios é “coisa de quem voa pra Europa”. Discordo — e tenho uma planilha que me obriga a discordar. Para os voos curtos que a maioria de nós realmente faz dentro do continente, Avios virou, em 2026, o resgate mais barato que existe partindo do Brasil. E quase ninguém usa.
Não estou falando de Doha nem de Londres. Estou falando do trecho que você vai fazer este ano: São Paulo a Buenos Aires, a Santiago, a Montevidéu. Trechos curtos. É exatamente onde o jeito como o Avios precifica resgate vira uma arma.
A tese, em uma frase
Avios cobra por distância em faixas fixas e curtas — e como São Paulo está a menos de 2.000 km de meio continente, esses trechos caem na faixa mais barata da tabela, batendo o resgate dinâmico de Smiles e LATAM Pass por margem grande.
Evidência 1 — a tabela por distância joga a favor de quem mora no Brasil
Qatar Avios e Iberia Plus usam tabela por zona de distância (distance-based award chart). GRU-EZE são cerca de 1.700 km; GRU-SCL, cerca de 2.600 km; GRU-MVD, cerca de 1.600 km. Os trechos curtos caem nas primeiras faixas da tabela, e a Qatar Airways, com a parceria Avios ativa, lista resgates em LATAM dentro da América do Sul a partir de aproximadamente 8.000 a 12.000 Avios por trecho em econômica, conforme a faixa de milhagem (Avios.com — partner award chart, 2026).
Compare com o resgate dinâmico. No mesmo GRU-EZE em data de média ocupação, vi Smiles pedindo entre 18.000 e 25.000 milhas em econômica, e o LATAM Pass oscilando na mesma faixa quando a tarifa “fixa” não está disponível (Smiles e LATAM Pass, simulação de junho de 2026). O resgate dinâmico segue o preço em real da passagem — quando a tarifa sobe, a milha sobe junto. O Avios, não. A faixa é a faixa.
Evidência 2 — o CPM efetivo, com taxa em real, fecha a favor do Avios
CPM sem taxa é conversa de influencer. Refiz a conta cheia para GRU-EZE econômica, câmbio de R$ 5,80/USD em junho de 2026:
- Qatar Avios: ~10.000 Avios + taxa de embarque do trecho LATAM. A YQ em trecho curto sul-americano é baixa; a taxa total ficou perto de R$ 130. Se você juntou Avios via transferência Livelo→Qatar em janela de bônus, o custo da milha sai barato.
- Smiles: ~22.000 milhas + taxa em torno de R$ 90. Mais milha, taxa parecida.
- LATAM Pass: ~20.000 milhas + taxa semelhante, quando há disponibilidade na tabela.
Mesmo somando a taxa em real, o Avios entrega a passagem por menos da metade das milhas. Para entender por que essa taxa varia tanto entre programas no mesmo voo, vale ler o guia da YQ no resgate de milhas — é o detalhe que derruba comparações preguiçosas.
Evidência 3 — você já consegue alimentar a conta Avios no Brasil
A objeção clássica é “mas não dá pra juntar Avios aqui”. Dá. Livelo e Esfera têm pares de transferência para Qatar Avios e Iberia, e o Itaú também alimenta esses destinos em certas janelas. Mapeei quais pares funcionam de verdade no post sobre transferir pontos BR para programas internacionais como Avios. Em bônus de transferência, o custo por Avios cai a um nível que torna esses trechos curtos quase um furto.
E tem o detalhe que ninguém comenta: o ecossistema Avios é compartilhado entre Qatar, Iberia, British, Finnair e Aer Lingus. Você junta num, move pra outro, emite no que tiver melhor disponibilidade. É flexibilidade que Smiles e LATAM Pass, presos ao próprio inventário, não oferecem.
O contra-argumento honesto
Aqui é onde minha tese pode falhar, e vou ser justo. Disponibilidade. Assento-prêmio LATAM via Qatar Avios não é abundante; em datas de pico, alta temporada e feriado, simplesmente não aparece. O resgate dinâmico do Smiles, por mais caro que seja, quase sempre tem assento — você paga mais milha, mas voa na data que quer.
Segundo: executiva curta não compensa tanto. A vantagem do Avios brilha em econômica de trecho curto. Em executiva regional, a diferença encolhe e às vezes o LATAM Pass na tabela fixa empata ou ganha. Para isso, comparei programa por programa no post sobre América do Sul em executiva.
Terceiro: a parceria pode mudar. Avios e Qatar já mexeram em regra de emissão para terceiros em 2026. O que vale hoje pode ser restringido amanhã — é o risco de todo programa, mas o Avios tem histórico mais nervoso que os nacionais.
Onde isso te leva
Se você voa econômica em trecho curto na América do Sul e tem flexibilidade de data, montar uma reserva de Avios via transferência bonificada é, em 2026, a jogada de melhor CPM que conheço para esses destinos — melhor que torrar Smiles ou LATAM Pass por reflexo. Se você precisa de data cravada em feriado, ou voa executiva, mantenha os programas nacionais no bolso.
A regra que eu sigo: junto Avios em janela de bônus, deixo parado, e abro a busca de prêmio com 4 a 6 meses de antecedência. Quando o assento aparece pela faixa curta, a passagem custa o que um SP-RJ doméstico custava há três anos. Quem só acumula Smiles nunca vai ver esse preço.
Fontes
- Avios.com — programa e award chart de parceiros (acesso em junho de 2026)
- Smiles — busca de passagens e resgate (simulação em junho de 2026)
- LATAM Pass — resgate de passagens (simulação em junho de 2026)
- Iberia Plus — Avios e tabela de resgate (acesso em junho de 2026)
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Escrito por
Marcos Hayama
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