sábado, 30 de maio de 2026
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América do Sul em executiva com milhas: qual programa cobra menos por trecho em 2026

Comparei Smiles, LATAM Pass, Azul e ConnectMiles para rotas GRU-EZE, GRU-SCL, GRU-LIM e GRU-BOG. CPM real calculado, tabela de custo por programa e minha escolha para cada destino.

Marcos Hayama 9 min de leitura
Poltrona reclinável de classe executiva em voo regional sul-americano com janela ao fundo
Poltrona reclinável de classe executiva em voo regional sul-americano com janela ao fundo

Você quer ir a Buenos Aires em executiva. Pesquisa no Smiles, pesquisa no LATAM Pass, e acha que o resultado de 45 mil milhas parece ok. Depois descobre que seu colega voou para Santiago na semana passada por 28 mil milhas pelo mesmo tipo de cabine. Mesma categoria, metade do custo.

A diferença não é coincidência. É que América do Sul é a categoria de resgate onde as distorções entre programas são maiores — e ninguém faz esse comparativo por destino, com CPM real, taxa em real, e a conta honesta.

Fiz isso.

O que importa antes de comparar os números

Quatro rotas são o grosso do tráfego doméstico de brasileiros que voam para a América do Sul: GRU→EZE (Buenos Aires), GRU→SCL (Santiago), GRU→LIM (Lima) e GRU→BOG (Bogotá). São rotas de 3 a 6 horas — o que a aviação chama de médio alcance.

Para esses trechos, duas variáveis decidem tudo:

Tabela fixa ou dinâmica? Programas que cobram milhas dinâmicas sobem o preço quando o voo em cash está caro. Em feriados, Copa do Mundo ou temporada de verão em Buenos Aires, o custo em milhas por uma rota dinâmica pode dobrar. Tabela fixa não muda — é o mesmo custo em julho e em fevereiro.

YQ — a sobretaxa que aparece depois. Algumas companhias repassam a taxa de combustível ao passageiro de milhas. Em voo de 4 horas para a América do Sul, a YQ pode representar R$ 300 a R$ 900 por trecho. Isso muda completamente o CPM efetivo da emissão.

Com isso claro: cada programa abaixo.


Smiles: barato para LATAM, caro para parceiras sul-americanas

O Smiles tem um trunfo para América do Sul que ninguém usa direito: emissão em voos Gol para destinos com operação direta. A Gol opera GRU→EZE (Buenos Aires) e GRU→ASU (Assunção), e o Smiles cobra para voos próprios da Gol — não da tabela de parceiras, que é bem mais alta.

RotaCusto Smiles (Gol próprio)Taxa estimadaTotal em R$ (CPM R$ 0,016/mil)*
GRU → EZE28.000–35.000 milhasR$ 180–280R$ 628–840
GRU → ASU22.000–28.000 milhasR$ 140–220R$ 492–668

*CPM de R$ 0,016 por milha Smiles reflete compra via clube em campanha. Cálculo: milhas × 0,016 ÷ 1.000 × 1.000 + taxa.

O problema aparece quando a Gol não tem voo direto para o destino — Santiago, Lima, Bogotá — e o Smiles precisa emitir via parceiras. Aí a tabela dinâmica entra e o custo sobe para 45.000 a 68.000 milhas em executiva dependendo da data e da ocupação do voo em cash.

Resumo do Smiles para América do Sul: excelente para Buenos Aires e Assunção via Gol, caro para todo o resto.


LATAM Pass: tabela fixa que parece boa, mas tem um detalhe

O LATAM Pass usa tabela fixa para voos LATAM próprios para América do Sul. Em executiva, o custo parte de 25.000 milhas para rotas curtas da América do Sul (menos de 2.500 km), e vai até 55.000 milhas para rotas mais longas como GRU→BOG.

O detalhe que pouca gente nota: a tabela fixa do LATAM Pass para América do Sul inclui taxas, diferente de programas que calculam milhas e taxas separado. Na prática, o custo real é 25.000 milhas pra Santiago ou Lima — e a taxa de embarque costuma ficar abaixo de R$ 150 para saídas do Brasil.

RotaCusto LATAM PassTaxa estimadaClasse tarifária
GRU → SCL25.000 milhasR$ 100–150Executiva (Saver)
GRU → LIM25.000 milhasR$ 110–160Executiva (Saver)
GRU → EZE25.000–30.000 milhasR$ 100–150Executiva (Saver)
GRU → BOG40.000–55.000 milhasR$ 130–200Executiva (Saver)

O CPM de aquisição do LATAM Pass é R$ 25/mil segundo levantamento da Melhores Destinos (2026) — o mais alto dos programas brasileiros. Isso faz diferença no cálculo: 25.000 milhas × R$ 0,025 = R$ 625 em custo de milhas. Mais R$ 130 de taxa = R$ 755 total para GRU→SCL executiva.

Parece caro? Depende do voo em cash. Um trecho GRU→SCL em executiva LATAM varia de R$ 2.200 a R$ 4.500 dependendo da temporada. Nesse contexto, R$ 755 é um CPM efetivo de R$ 0,030 por milha — razoável para executiva sul-americana.

O ponto forte do LATAM Pass aqui é a disponibilidade. Voos LATAM próprios para América do Sul têm assentos award liberados com mais frequência do que parceiras — e a busca pelo site do LATAM Pass é mais confiável que outros programas para esse tipo de rota.


ConnectMiles: o atalho esquecido para Lima e Bogotá

A Copa Airlines voa GRU→PTY (Panama City) e de lá conecta para a América do Sul inteira — incluindo Lima, Bogotá, Quito, Santiago e Buenos Aires. O custo no ConnectMiles é por zona geográfica, com tabela fixa.

Para rotas entre Brasil e América do Sul via PTY:

RotaConnectMiles SaverTaxa estimadaObservação
GRU → LIM (via PTY)20.000 milhasR$ 160–250Zona Intra-América do Sul
GRU → BOG (via PTY)20.000 milhasR$ 180–260Zona Intra-América do Sul
GRU → SCL (via PTY)20.000 milhasR$ 160–240Zona Intra-América do Sul
GRU → EZE (via PTY)20.000 milhasR$ 170–250Zona Intra-América do Sul

20.000 milhas em executiva para qualquer destino sul-americano. É o sweet spot mais subestimado da América do Sul para brasileiro.

O porém: você precisa de uma conexão em PTY. A Copa tem voos diários de GRU para Panama City com conexão boa para o resto do continente. Em termos de conforto, a Copa opera Boeing 737 MAX com configuração executiva decente em rotas regionais — não é flat bed, mas é espaço e reclinação acima do doméstico.

Como transferir: Livelo→ConnectMiles na proporção 3:1 (3 pontos Livelo = 1 mile). Para 20.000 milhas, você precisa de 60.000 pontos Livelo — ou 30.000 pontos com bônus de 100% em transferência, quando disponível. O custo de aquisição do Livelo em campanha boa pode chegar a R$ 0,010–0,015 por ponto, tornando o ConnectMiles sul-americano o resgate de menor CPM efetivo que encontrei para executiva.

Esse raciocínio se conecta ao método de identificar sweet spots por zona geográfica — o ConnectMiles é um dos melhores exemplos práticos desse método aplicado.


Azul: resgates domésticos, não internacional

A Azul Fidelidade é ótima para domésticos e para conexões brasileiras, mas não tem rede para América do Sul em executiva de forma competitiva. Os resgates internacionais da Azul dependem de parceiras com tabela dinâmica. Para as rotas desta análise, o Azul não aparece no topo em nenhum cenário.

Se você acumula Azul Fidelidade pesado e quer América do Sul executiva, a melhor estratégia é transferir para outro programa com rota específica em vez de emitir direto pelo Azul.


Minha escolha por destino (com a conta na mão)

Aqui está o que eu faria hoje, pesquisando em maio de 2026, para cada destino principal:

GRU → EZE (Buenos Aires): Smiles via Gol, entre 28.000 e 35.000 milhas. O CPM de R$ 0,016/mil no clube Smiles faz esse resgate sair em torno de R$ 630–840 total. É o menor custo real para esse destino. Se Gol não tiver disponibilidade na data, LATAM Pass com 25.000–30.000 milhas é o segundo caminho.

GRU → SCL (Santiago): LATAM Pass, 25.000 milhas + ~R$ 130 de taxa. Total estimado R$ 755. A disponibilidade é boa, o voo é direto e a operação é confiável. ConnectMiles via PTY funciona também por 20.000 milhas, mas a conexão em Panama City adiciona 4–5 horas no total da viagem para um destino que a LATAM alcança em 4h direto.

GRU → LIM (Lima): ConnectMiles, 20.000 milhas + ~R$ 200 de taxa. Aqui a conexão em PTY não penaliza tanto — a Copa tem horários bem encaixados de GRU para PTY que conectam para Lima em menos de 2 horas de escala. CPM efetivo pode ficar em torno de R$ 0,020–0,025 dependendo de como você acumulou o Livelo.

GRU → BOG (Bogotá): ConnectMiles também, pelo mesmo raciocínio. 20.000 milhas via PTY, com operação Copa confiável. O LATAM Pass cobra 40.000–55.000 milhas para Bogotá, mais que o dobro — sem justificativa de conforto proporcional.


O erro mais comum em resgates sul-americanos

Depois de fazer esse comparativo, o padrão que aparece é sempre o mesmo: o brasileiro pesquisa América do Sul no Smiles porque é o programa que ele mais acumula, e aceita o primeiro resultado — mesmo quando é parceira com tabela dinâmica e YQ alta.

A regra que mudou meu jeito de pensar sobre América do Sul em executiva é simples: o programa certo muda por destino. Smiles ganha para Buenos Aires via Gol, LATAM Pass ganha para Santiago em disponibilidade, ConnectMiles ganha para Lima e Bogotá em custo. Usar um único programa para tudo é o que aumenta o CPM efetivo da sua carteira de milhas.

Para quem está montando a estratégia de qual cartão acumular pensando em voos sul-americanos, a lógica de calcular CPM real do cartão antes de escolher o produto muda completamente a equação: acumular Livelo em cartão com CPM bom para ter acesso ao ConnectMiles é frequentemente mais eficiente do que concentrar tudo em Smiles ou LATAM Pass.


Perguntas frequentes

Vale a pena usar milhas para voos de 3-4 horas na América do Sul?

Depende do custo do voo em cash. Executiva GRU→EZE em promoção pode chegar a R$ 1.200 — e o resgate por Smiles sai em ~R$ 700. O ganho é real, mas não é enorme. Onde o resgate faz mais diferença em distâncias curtas é quando o cash está acima de R$ 2.500, que acontece em alta temporada e em rotas com menos competição como Lima ou Bogotá.

O ConnectMiles aceita transferência do LATAM Pass?

Não. ConnectMiles é Copa Airlines, programa próprio. O acesso para brasileiro é via Livelo (proporção 3:1) ou via Esfera Santander, ambos com campanhas de bônus periódicas. Não existe transferência direta de LATAM Pass para ConnectMiles.

Smiles parceiras para América do Sul — quando vale?

Quando a promoção de transferência bonificada reduz o custo de aquisição para menos de R$ 0,010 por milha Smiles. Fora de campanha, a tabela dinâmica de parceiras torna o Smiles caro para rotas sul-americanas além de Buenos Aires e Assunção.


Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

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