quarta-feira, 17 de junho de 2026
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Qual programa de milhas abrir primeiro: o guia honesto pra quem está começando em 2026

Smiles, Latam Pass ou TudoAzul: qual abrir primeiro se você nunca acumulou milhas. Critérios reais, ranking por perfil e a conta de CPM que ninguém mostra pro iniciante.

Letícia Ribas 6 min de leitura
Pessoa planejando viagem com passaporte e notebook em aeroporto, representando a escolha do primeiro programa de milhas
Pessoa planejando viagem com passaporte e notebook em aeroporto, representando a escolha do primeiro programa de milhas

Toda semana cai na minha DM a mesma pergunta de quem nunca acumulou um ponto na vida: “Letícia, vou começar agora — abro Smiles, Latam Pass ou TudoAzul?” E quase sempre a pessoa já fez a parte errada: criou conta nos três no mesmo dia, espalhou 8 mil pontos em cada um, e agora tem três saldos pequenos demais pra emitir qualquer coisa. Pulverizou antes de entender que milha só vira passagem quando junta.

A escolha do primeiro programa importa mais do que parece, porque é onde você vai concentrar o esforço dos primeiros 18 meses. Erra aqui e você acumula no programa que cobra mais milhas exatamente na rota que você quer voar.

O que realmente decide qual abrir primeiro

Esquece “qual é o melhor programa”. Essa pergunta não tem resposta — tem contexto. O que decide pro iniciante são quatro coisas, nessa ordem:

1. Onde você já voa hoje. Se a sua empresa compra Latam, ou se a rota da sua cidade só tem Gol, isso pesa mais que qualquer tabela. Voar na própria cia ainda dá o melhor acúmulo de base e desbloqueia status mais rápido.

2. Qual cartão você tem (ou vai ter). O programa que combina com o seu cartão multiplica o acúmulo. Se você tem cartão que pontua Livelo, qualquer programa que receba transferência da Livelo está no jogo. Antes de escolher, vale entender onde acumular pontos: banco, Livelo e Esfera vs milha aérea direto — porque na prática o iniciante acumula primeiro no programa de banco, não na cia.

3. A rota dos seus sonhos. Quer voar pra Europa em executiva? Quer só fazer ponte SP–RJ barato? São programas diferentes que ganham em cada caso.

4. Quanto a milha vale ali (CPM). O custo por milha — quanto você paga em reais por cada milha — é o que separa um programa bom de um programa que parece bom. Falo disso no ranking abaixo.

Ranking por perfil de quem está começando

Não existe “o melhor”. Existe o melhor pro seu caso. Aqui vai a minha leitura, com a conta na frente:

Seu perfilPrograma pra abrir 1ºPor quêPegadinha
Voa nacional, quer baratear ponte aéreaLatam Pass ou Smiles (o da cia que voa da sua cidade)Resgate doméstico curto sai a partir de 9–12 mil milhas + taxaResgate dinâmico faz o preço variar; sente o ritmo antes de emitir
Mira Europa/EUA em executivaLatam PassAcesso a parceiras com tabela melhor e taxa em real menor em várias rotasDisponibilidade some rápido — emissão tem que ser planejada com meses
Voa pouco, quer flexibilidadeTudoAzulResgate por dinheiro+pontos e parcerias amplas; bom pra saldo pequenoCPM de resgate só pontos costuma ser pior que o anunciado
Não tem cia fixa, vai acumular por cartãoPrograma de banco primeiro (Livelo/Esfera)Você concentra ali e transfere com bônus depoisPonto de banco não é milha — só vira milha quando rola bônus

Repare: em três dos quatro perfis, o programa aéreo nem é a primeira conta que importa. É o programa de banco, porque é ali que o gasto do dia a dia vira saldo. A milha aérea é o destino, não a porta de entrada.

A conta que ninguém mostra pro iniciante

Eu refiz uma conta real pra mostrar por que “milha de graça” é mito. Digamos que você queira emitir GRU–SDU (São Paulo–Rio) em milhas:

  • Resgate: 9.500 milhas Smiles num dia de baixa demanda
  • Taxa de embarque cobrada na emissão: R$ 38
  • Pra ter essas 9.500 milhas, você transferiu da Livelo num bônus de 80%, comprando ponto Livelo a R$ 0,028 cada

Conta real: 9.500 milhas ÷ 1,8 (bônus) = ~5.278 pontos Livelo × R$ 0,028 = R$ 148 + R$ 38 de taxa = R$ 186 pelo voo. Se o mesmo trecho em dinheiro custava R$ 220 naquele dia, você economizou R$ 34 — não voou de graça. O CPM efetivo da sua emissão ficou em R$ 0,019 por milha, e isso só porque você esperou o bônus de 80%. Sem o bônus, o mesmo voo sairia mais caro que comprar a passagem.

Essa é a lição que muda tudo pro iniciante: o programa que você abre importa menos que a disciplina de só transferir no bônus certo. Por isso o passo seguinte ao escolher o programa é entender pra qual programa transferir Livelo: Smiles, Latam ou Azul — porque é a transferência, não a conta aberta, que define o seu CPM.

Minha escolha e por quê

Se eu tivesse que recomeçar do zero hoje, em junho de 2026, eu abriria um programa de banco (Livelo, pela quantidade de parceiros de transferência) e um programa aéreo alinhado à cia que mais sai da minha cidade. Dois programas. Não cinco.

Por quê dois e não um? Porque o programa de banco é o cofre onde o gasto vira ponto, e o aéreo é onde o ponto vira passagem. Concentrar nesses dois te dá saldo grande o suficiente pra emitir de verdade, em vez de três saldos pequenos que nunca chegam lá. Se quiser ir fundo nessa decisão, já escrevi sobre Smiles, Latam Pass e TudoAzul: qual rende mais pro brasileiro.

E o cartão? Não precisa ser o de anuidade salgada logo de cara. Pra quem está começando, dá pra acumular bem com opção sem mensalidade — veja cartão de milhas sem anuidade: vale a pena em 2026 antes de pagar caro por benefício que você ainda não vai usar.

FAQ

Posso abrir os três programas? Pode, e até vale ter as contas criadas (são grátis). O que não vale é acumular nos três ao mesmo tempo. Tenha conta em todos, mas concentre o esforço em um aéreo + um de banco.

Smiles ou Latam Pass pra quem nunca voou em milhas? Depende da cia que mais opera da sua cidade e da rota que você sonha. Pra resgate internacional em executiva, na minha leitura o Latam Pass costuma cobrar menos milhas e taxa menor em várias rotas. Pra puro doméstico, escolha o da cia que você realmente vai usar.

Quanto tempo até eu emitir minha primeira passagem? Acumulando só com gasto de cartão de uso normal, conte de 6 a 18 meses pra um trecho doméstico. Acelerar isso de forma saudável passa por aproveitar bônus de transferência — nunca por comprar milhas no impulso.


Vale terminar com: o iniciante que acerta o primeiro programa não é o que escolheu “o melhor”. É o que escolheu dois e teve paciência de juntar antes de gastar. Concentre, espere o bônus, e emita com a conta na mão.

Fontes

L

Escrito por

Letícia Ribas

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

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