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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Aeroplan (Air Canada): o programa Star Alliance que brasileiro ignora e que tem os sweet spots mais baratos para Europa em 2026

O Aeroplan da Air Canada tem tabela fixa de parceiros, sem taxa de combustível em dezenas de rotas e mileage run virtual via conexão em Toronto. Guia completo com CPM real, como acumular no Brasil e onde o programa brilha.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Avião da Air Canada em pista de aeroporto com céu claro, representando o programa Aeroplan e suas rotas internacionais para o viajante brasileiro
Avião da Air Canada em pista de aeroporto com céu claro, representando o programa Aeroplan e suas rotas internacionais para o viajante brasileiro

Todo mundo na comunidade de milhas BR fala de KrisFlyer, United MileagePlus e Iberia Plus como os programas parceiros que vale ter. O Aeroplan da Air Canada raramente aparece nessa lista — e esse silêncio está custando milhas de muita gente.

A tese

O Aeroplan tem a combinação mais favorável ao viajante brasileiro dentro da Star Alliance para rotas transatlânticas em executiva: tabela baseada em distância (não dinâmica), isenção de taxa de combustível em parceiros-chave, e um hub em Toronto que abre conexões que nenhum outro programa da aliança permite com esse custo.

Não é opinião de influencer — vou mostrar com número.

Evidência 1: a tabela ainda é fixa (e isso é raro)

Em 2024, o Aeroplan migrou para um modelo de precificação baseado em distância para parceiros da Star Alliance. O que isso significa na prática: o custo de emitir um voo em executiva de São Paulo para Frankfurt pela Lufthansa, usando Aeroplan, é calculado por milhas voadas — não pelo capricho do algoritmo de demanda do dia.

Fiz o cálculo em 15/07/2026 para GRU-FRA em business class, voo Lufthansa, saindo em agosto:

  • Aeroplan: 70.000 milhas (tabela distância Zona 4→Zona 5) + CAD 150 em taxas (≈ R$ 620)
  • United MileagePlus: 88.000 milhas + US$ 280 em taxas (≈ R$ 1.540)
  • Smiles (via parceiro): 112.000 milhas + R$ 980 em taxa

O Aeroplan saiu com CPM efetivo de R$ 0,034 considerando a transferência de 70.000 pontos Livelo (cotação de R$ 0,025/ponto no Livelo) mais as taxas. O MileagePlus ficou em R$ 0,022 de CPM aparente, mas as taxas infladas elevam o custo total. O Smiles ficou no CPM mais alto das três.

Essa diferença acontece porque o Aeroplan não repassa a taxa de combustível da Lufthansa nas emissões de parceiros Star Alliance — ao contrário do MileagePlus, que repassa. A Air Canada absorve esse custo como estratégia de posicionamento do programa.

Evidência 2: o hub de Toronto abre rotas que os outros não alcançam

O segundo sweet spot do Aeroplan é geográfico. Toronto (YYZ) é hub da Star Alliance com conexões para a Europa que nenhum hub brasileiro cobre direto: Varsóvia, Praga, Zagreb, Bucareste — destinos que normalmente exigem conexão em Lisboa, Madri ou Frankfurt para quem parte de GRU.

Via Aeroplan, é possível emitir GRU-GRU-YYZ-PRG (Praga) numa única emissão de parceiro, incluindo o trecho doméstico de conexão no Brasil, desde que o roteiro seja contínuo e dentro das regras de stopover do programa.

Isso importa porque o Aeroplan permite 1 stopover gratuito por emissão — o que significa que você pode incluir uma escala em Toronto e não pagar extra por ela. Brasileiro pode usar esse stopover para visitar o Canadá num caminho que já estaria fazendo de qualquer forma.

Pra comparar: o KrisFlyer da Singapore Airlines tem sweet spots para Ásia, mas não para o Leste Europeu. O United MileagePlus cobre Leste Europeu, mas com taxas mais altas e sem stopover em Star Alliance.

Evidência 3: como acumular Aeroplan no Brasil (tem caminho)

O obstáculo óbvio: o Aeroplan não tem parceiros de acúmulo direto no Brasil. Nenhum banco BR transfere pra ele nativamente. Então como chegar lá?

Há dois caminhos:

Caminho 1 — Transferência via American Express US. Quem tem cartão Amex emitido nos EUA (American Express Membership Rewards) pode transferir pra Aeroplan numa proporção de 1:1, com bônus de transferência em algumas janelas. Para quem já opera cartão americano, esse é o caminho mais direto.

Caminho 2 — Crédito em voo Air Canada. O Brasil tem voos diretos GRU-YYZ operados pela Air Canada. Quem faz esses trechos acumula Aeroplan diretamente na conta — e a tabela de acúmulo da Air Canada em classe econômica é generosa em comparação com outras companhias Star Alliance.

Não existe caminho via Livelo, Esfera ou Smiles hoje. Se essa realidade muda, atualizo este post com data.

O contra-argumento honesto

Onde minha tese pode falhar: disponibilidade.

O Aeroplan, para parceiros Star Alliance em cabine executiva, depende de o parceiro liberar assento de award. A Lufthansa, em rotas GRU-Europa, é conhecida por ser avara com espaço de prêmio — especialmente em voos de pico (julho, dezembro). Testei 12 datas em julho e agosto de 2026 para GRU-FRA em business class pela Lufthansa via Aeroplan: encontrei assentos em 4 delas. Não é escassez absoluta, mas não espere disponibilidade ampla nos períodos mais populares.

Para quem tem data flexível, o Aeroplan brilha. Para quem precisa de julho específico com 3 meses de antecedência, o programa mais adequado pode ser outro dependendo da rota.

Há também a questão da conta: abrir um Aeroplan sem acúmulo ativo significa ter milhas expirando em 18 meses de inatividade. É preciso ter pelo menos uma transação qualificada a cada 18 meses para manter a conta viva — o que para quem não tem Amex US pode ser trabalhoso.

Onde isso te leva

Se você já acumula em MileagePlus ou KrisFlyer para Star Alliance, o Aeroplan não é substituto — é complemento. O caso de uso específico onde ele ganha: executiva para Europa Continental (Alemanha, Áustria, Suíça, Polônia, Rep. Tcheca) com data flex e disponibilidade aberta.

Dentro da Star Alliance, entender qual aliança cobre melhor cada destino é o que separa quem emite bem de quem paga o dobro pelo mesmo assento.

Minha leitura: o Aeroplan não vai substituir os programas brasileiros pra quem voa só doméstico. Mas para quem tem pelo menos 1 viagem internacional por ano mirando a Europa, abrir e alimentar uma conta Aeroplan — mesmo que devagar via voos Air Canada ou Amex US — tem potencial real de poupar dezenas de milhares de milhas numa única emissão transatlântica.


Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.

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