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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Virgin Atlantic Flying Club: vale abrir conta pra pegar Delta One e ANA mais barato?

Nenhum banco brasileiro transfere pra Virgin Points. Simulei os dois jeitos que sobram — comprar direto e creditar voo de parceira — e cheguei num CPM que muda a conta do Delta One.

Marcos Hayama 6 min de leitura
Cabine de classe executiva de avião com poltronas individuais ao amanhecer
Cabine de classe executiva de avião com poltronas individuais ao amanhecer

Em julho eu estava montando uma escala em Miami pra seguir de Delta One até Paris, e o simulador da própria Delta pedia 312 mil SkyMiles pro trecho MIA-CDG na data que eu queria. Abri o site da Virgin Atlantic Flying Club só pra comparar — mesmo avião, mesma cabine, reserva feita pelo parceiro britânico em vez da companhia americana. O preço caiu pra 47.500 pontos. Fechei duas abas do simulador antes de acreditar que a diferença era real.

O que aconteceu

A Virgin Atlantic Flying Club é o programa de fidelidade britânico da Virgin Atlantic, hoje operado sob a marca guarda-chuva Virgin Red. Pontua pouco sozinho — a malha própria da Virgin é pequena, principalmente Londres-EUA — mas resgata em parceiros com uma tabela que, em vários trechos, sai mais barata que o programa nativo da própria companhia operadora. Os dois exemplos que valem a viagem: Delta One Miami/Nova York-Europa a partir de 47.500 pontos na faixa não-cheia (subindo pra 57.500-77.500 em data de pico, e mais caro ainda saindo da Costa Oeste), e ANA Business Class — a cabine “The Room”, uma das melhores do mundo — de aeroportos americanos até Tóquio a partir de 52.500 pontos ida, segundo o levantamento mais recente da Award Travel Finder. E tem um detalhe que ninguém em blog de milhas americano destaca pro leitor daqui: a Virgin cobra taxa de combustível pesada nos voos operados por ela mesma, mas não cobra em cima de Delta e ANA — o resgate de parceiro sai livre desse abuso.

O problema chega na segunda parte da frase que todo mundo esquece de fazer: como um brasileiro entra nesse programa. Rodei a lista de parceiros de transferência de Livelo, Esfera, Smiles e Latam Pass e não achei Virgin Atlantic em nenhuma. Não é omissão de busca — nenhum banco brasileiro tem esse parceiro, porque o transfer partnership relevante (Amex Membership Rewards americano, Chase Ultimate Rewards) exige cartão emitido nos EUA com CPF/SSN americano. O Membership Rewards Amex que opera no Brasil transfere pra Delta SkyMiles direto, mas não pra Virgin — são dois catálogos de parceiro diferentes por país, e ninguém avisa isso na hora de abrir conta.

Por que isso importa pra quem já monta viagem via EUA

Sobra uma porta, e ela funciona com qualquer cartão internacional: comprar Virgin Points direto, em dólar ou libra, sem precisar de conta em banco americano. Fiz a conta com o preço de tabela cheia — sem nenhuma promoção rodando hoje: US$ 25 a cada 1.000 pontos mais taxa fixa de US$ 22 por transação. Pra comprar os 47.500 pontos do exemplo do MIA-CDG, são US$ 1.209,50. Convertendo no dólar de hoje (R$ 5,19) e somando o IOF de 3,5% que incide em compra internacional no cartão, o total fica em R$ 6.497 — um CPM de R$ 0,137 por ponto. Pro resgate ANA de 52.500 pontos, a conta chega em R$ 7.171, CPM praticamente igual.

Compare com o preço da própria passagem em Delta One MIA-CDG comprada em dinheiro — historicamente entre US$ 3.500 e US$ 6.000 one-way na baixa temporada, ou seja, R$ 18 mil a R$ 31 mil. Mesmo pagando tabela cheia pelos pontos, sem nenhum bônus de compra, o CPM de R$ 0,137 entrega uma executiva internacional por menos de um terço do preço cash. E isso é o pior cenário: a Virgin roda promoção de compra com bônus regularmente — a mais recente, de até 70%, foi até 7 de julho deste ano e derrubava o CPM pra perto de R$ 0,08. Quem tem paciência pra esperar a próxima janela paga menos ainda pela mesma cabine.

O outro caminho, sem custo nenhum de compra, é creditar voo que você já ia fazer mesmo assim. Se você voa Delta, Air France-KLM, SAS ou ANA nos próximos meses, dá pra escolher a Flying Club como programa de acúmulo daquele voo específico em vez da milhagem nativa da companhia — sem custo, e às vezes rendendo mais elite qualifying pra quem mira status Virgin. É a mesma lógica de mileage running que já expliquei aqui sobre resgate de cabine premium via programa de terceiro: o valor não está em voar a companhia, está em escolher com inteligência qual programa credita o voo.

Onde a conta simplifica demais

Essa comparação só fecha pra quem já ia fazer a viagem posicionada até um hub americano de qualquer forma — Miami, Nova York, Atlanta, Los Angeles. Pra quem sai direto de GRU ou GIG sem escala nos EUA, entra o custo (em dinheiro e em tempo) de montar essa conexão, e o cálculo de R$ 0,137/ponto vira só metade da equação. E resgate de parceiro na Virgin precisa ser feito por telefone com o próprio programa — o site não busca disponibilidade da ANA online — e a janela de assento saver costuma abrir por volta de 30 dias antes do voo, sem garantia. E comprar milhas de qualquer programa só compensa quando você já sabe exatamente que passagem vai emitir — comprar Virgin Points especulativamente, sem reserva confirmada em mente, é o mesmo erro de sempre com nome de programa diferente.

Tem ainda o detalhe do IOF que muita gente esquece de somar: pagar em cartão internacional sempre carrega esse imposto embutido, e ele muda por decreto — a alíquota de 3,5% que usei aqui é a vigente agora, mas já foi outra e pode voltar a mudar sem aviso prévio de meses.

O que fazer com isso agora

  • Se você já monta escala por hub americano em viagem de executiva pra Europa ou Ásia, abra conta grátis na Flying Club e guarde o CPM de referência (R$ 0,137 tabela cheia, R$ 0,08 em promoção de bônus) antes de comparar com o resgate nativo da Delta ou da ANA.
  • Nunca compre Virgin Points sem já ter checado a disponibilidade do voo específico por telefone com o programa — assento saver de parceiro é escasso e a compra de ponto não é reembolsável.
  • Se você voa Delta, Air France-KLM, SAS ou ANA nos próximos meses de qualquer forma, considere creditar esse voo na Flying Club em vez do programa nativo — é o único jeito de acumular sem custo nenhum saindo do Brasil.
  • Acompanhe promoção de compra de ponto com bônus — elas voltam com frequência e derrubam o CPM pela metade.

Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

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