Virgin Atlantic Flying Club: vale abrir conta pra pegar Delta One e ANA mais barato?
Nenhum banco brasileiro transfere pra Virgin Points. Simulei os dois jeitos que sobram — comprar direto e creditar voo de parceira — e cheguei num CPM que muda a conta do Delta One.
Em julho eu estava montando uma escala em Miami pra seguir de Delta One até Paris, e o simulador da própria Delta pedia 312 mil SkyMiles pro trecho MIA-CDG na data que eu queria. Abri o site da Virgin Atlantic Flying Club só pra comparar — mesmo avião, mesma cabine, reserva feita pelo parceiro britânico em vez da companhia americana. O preço caiu pra 47.500 pontos. Fechei duas abas do simulador antes de acreditar que a diferença era real.
O que aconteceu
A Virgin Atlantic Flying Club é o programa de fidelidade britânico da Virgin Atlantic, hoje operado sob a marca guarda-chuva Virgin Red. Pontua pouco sozinho — a malha própria da Virgin é pequena, principalmente Londres-EUA — mas resgata em parceiros com uma tabela que, em vários trechos, sai mais barata que o programa nativo da própria companhia operadora. Os dois exemplos que valem a viagem: Delta One Miami/Nova York-Europa a partir de 47.500 pontos na faixa não-cheia (subindo pra 57.500-77.500 em data de pico, e mais caro ainda saindo da Costa Oeste), e ANA Business Class — a cabine “The Room”, uma das melhores do mundo — de aeroportos americanos até Tóquio a partir de 52.500 pontos ida, segundo o levantamento mais recente da Award Travel Finder. E tem um detalhe que ninguém em blog de milhas americano destaca pro leitor daqui: a Virgin cobra taxa de combustível pesada nos voos operados por ela mesma, mas não cobra em cima de Delta e ANA — o resgate de parceiro sai livre desse abuso.
O problema chega na segunda parte da frase que todo mundo esquece de fazer: como um brasileiro entra nesse programa. Rodei a lista de parceiros de transferência de Livelo, Esfera, Smiles e Latam Pass e não achei Virgin Atlantic em nenhuma. Não é omissão de busca — nenhum banco brasileiro tem esse parceiro, porque o transfer partnership relevante (Amex Membership Rewards americano, Chase Ultimate Rewards) exige cartão emitido nos EUA com CPF/SSN americano. O Membership Rewards Amex que opera no Brasil transfere pra Delta SkyMiles direto, mas não pra Virgin — são dois catálogos de parceiro diferentes por país, e ninguém avisa isso na hora de abrir conta.
Por que isso importa pra quem já monta viagem via EUA
Sobra uma porta, e ela funciona com qualquer cartão internacional: comprar Virgin Points direto, em dólar ou libra, sem precisar de conta em banco americano. Fiz a conta com o preço de tabela cheia — sem nenhuma promoção rodando hoje: US$ 25 a cada 1.000 pontos mais taxa fixa de US$ 22 por transação. Pra comprar os 47.500 pontos do exemplo do MIA-CDG, são US$ 1.209,50. Convertendo no dólar de hoje (R$ 5,19) e somando o IOF de 3,5% que incide em compra internacional no cartão, o total fica em R$ 6.497 — um CPM de R$ 0,137 por ponto. Pro resgate ANA de 52.500 pontos, a conta chega em R$ 7.171, CPM praticamente igual.
Compare com o preço da própria passagem em Delta One MIA-CDG comprada em dinheiro — historicamente entre US$ 3.500 e US$ 6.000 one-way na baixa temporada, ou seja, R$ 18 mil a R$ 31 mil. Mesmo pagando tabela cheia pelos pontos, sem nenhum bônus de compra, o CPM de R$ 0,137 entrega uma executiva internacional por menos de um terço do preço cash. E isso é o pior cenário: a Virgin roda promoção de compra com bônus regularmente — a mais recente, de até 70%, foi até 7 de julho deste ano e derrubava o CPM pra perto de R$ 0,08. Quem tem paciência pra esperar a próxima janela paga menos ainda pela mesma cabine.
O outro caminho, sem custo nenhum de compra, é creditar voo que você já ia fazer mesmo assim. Se você voa Delta, Air France-KLM, SAS ou ANA nos próximos meses, dá pra escolher a Flying Club como programa de acúmulo daquele voo específico em vez da milhagem nativa da companhia — sem custo, e às vezes rendendo mais elite qualifying pra quem mira status Virgin. É a mesma lógica de mileage running que já expliquei aqui sobre resgate de cabine premium via programa de terceiro: o valor não está em voar a companhia, está em escolher com inteligência qual programa credita o voo.
Onde a conta simplifica demais
Essa comparação só fecha pra quem já ia fazer a viagem posicionada até um hub americano de qualquer forma — Miami, Nova York, Atlanta, Los Angeles. Pra quem sai direto de GRU ou GIG sem escala nos EUA, entra o custo (em dinheiro e em tempo) de montar essa conexão, e o cálculo de R$ 0,137/ponto vira só metade da equação. E resgate de parceiro na Virgin precisa ser feito por telefone com o próprio programa — o site não busca disponibilidade da ANA online — e a janela de assento saver costuma abrir por volta de 30 dias antes do voo, sem garantia. E comprar milhas de qualquer programa só compensa quando você já sabe exatamente que passagem vai emitir — comprar Virgin Points especulativamente, sem reserva confirmada em mente, é o mesmo erro de sempre com nome de programa diferente.
Tem ainda o detalhe do IOF que muita gente esquece de somar: pagar em cartão internacional sempre carrega esse imposto embutido, e ele muda por decreto — a alíquota de 3,5% que usei aqui é a vigente agora, mas já foi outra e pode voltar a mudar sem aviso prévio de meses.
O que fazer com isso agora
- Se você já monta escala por hub americano em viagem de executiva pra Europa ou Ásia, abra conta grátis na Flying Club e guarde o CPM de referência (R$ 0,137 tabela cheia, R$ 0,08 em promoção de bônus) antes de comparar com o resgate nativo da Delta ou da ANA.
- Nunca compre Virgin Points sem já ter checado a disponibilidade do voo específico por telefone com o programa — assento saver de parceiro é escasso e a compra de ponto não é reembolsável.
- Se você voa Delta, Air France-KLM, SAS ou ANA nos próximos meses de qualquer forma, considere creditar esse voo na Flying Club em vez do programa nativo — é o único jeito de acumular sem custo nenhum saindo do Brasil.
- Acompanhe promoção de compra de ponto com bônus — elas voltam com frequência e derrubam o CPM pela metade.
Fontes
- Award Travel Finder — Virgin Atlantic Award Chart 2026: Virgin Points Pricing, Sweet Spots & Value Guide
- LoyaltyLobby — Virgin Atlantic Buy Miles Up To 70% Bonus Through July 7, 2026
- Wise — IOF cartão internacional: quanto é e como funciona
- American Express — Virgin Atlantic Flying Club, transferência Membership Rewards
Escrito por
Marcos Hayama
Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.


