quinta-feira, 11 de junho de 2026
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Taxa de conversão de pontos em milhas: a tabela por banco que ninguém te mostra

Itaú, Bradesco, C6, Santander e Inter têm taxas base diferentes para cada programa. Entenda a conta antes de transferir — e por que bônus alto não salva taxa ruim.

Letícia Ribas 7 min de leitura
Cartões de crédito e aplicativos de programas de pontos sobre mesa com calculadora — comparação de taxas de conversão
Cartões de crédito e aplicativos de programas de pontos sobre mesa com calculadora — comparação de taxas de conversão

Em 2023, transferi 300 mil pontos Itaú Personnalité para o Smiles durante uma promo de 80% de bônus e fiquei com 216 mil Smiles. Parecia excelente. Só depois fiz a conta certa: 300 mil pontos Itaú, à taxa base de 2,5:1, viram 120 mil Smiles antes do bônus — e o bônus de 80% aplicou sobre esses 120 mil, não sobre os 300 mil de origem. O resultado real foi R$ 8,33 por milheiro transferido, quase o dobro do que eu calculara errado.

A taxa de conversão base é o número que fica escondido entre os asteriscos. É ela que define o custo real de cada milha que chega no destino — antes do bônus, antes do clube, antes de qualquer promoção. Sem entender esse número por banco e por par de programas, toda a conta que você faz depois está torta.

O que a taxa de conversão significa na prática

Cada banco emite pontos próprios: pontos Itaú, pontos Bradesco, pontos C6 (átomos), pontos Santander (Esfera) e pontos Inter. Esses pontos não são milhas — eles precisam ser convertidos para um programa aéreo (Smiles, LATAM Pass, Azul Fidelidade, TudoAzul) antes de virar passagem.

A taxa de conversão determina quantos pontos do banco você gasta para receber 1.000 milhas no destino. Existem dois jeitos de ela aparecer:

  • Taxa direta (menos pontos, mais milhas): o Banco Inter converte 1 ponto = 1 milha em alguns programas — ou seja, 1.000 pontos = 1.000 milhas. Ótimo.
  • Taxa indireta (mais pontos, menos milhas): o Itaú Personnalité converte 2,5 pontos = 1 milha para o Smiles — ou seja, você gasta 2.500 pontos para receber 1.000 Smiles. Não tão ótimo.

O bônus de transferência não muda a taxa base. Ele multiplica as milhas que chegam depois da conversão. Então se você tem uma taxa ruim, o bônus atenua o problema — mas raramente resolve.

O que aconteceu com os meus 300 mil pontos Itaú (a lição)

Vou refazer a conta do jeito correto, com os três passos que uso agora antes de qualquer transferência:

Passo 1 — qual a taxa base do meu banco para o programa-destino? Itaú Personnalité → Smiles: 2,5 pontos por 1 milha. Então 300.000 pontos ÷ 2,5 = 120.000 milhas base.

Passo 2 — qual o bônus ativo? 80% de bônus sobre as milhas que chegam: 120.000 × 1,80 = 216.000 Smiles.

Passo 3 — qual o CPM efetivo? Eu havia pago R$ 1.800 em anuidade proporcional pelos pontos (estimativa de custo de aquisição naquela época). CPM = R$ 1.800 / 216 milheiros = R$ 8,33/milheiro.

Comparando: na mesma época, a Livelo transferia para o Smiles a 1:1 (taxa base) com bônus de 80%, e eu conseguia 100 mil pontos Livelo por R$ 380 em promoção. CPM = R$ 380 / 180 milheiros = R$ 2,11/milheiro. Quatros vezes mais barato.

O problema não era o Itaú. Era que eu nunca tinha comparado a taxa base. O bônus de 80% era idêntico nos dois casos.

A tabela por banco (referência junho/2026)

Essa é a fotografia das taxas que monitoro regularmente. Os valores mudam — por isso sempre confirme antes de transferir.

Banco / CartãoProgramaTaxa baseMilhas por 1.000 pontos
Itaú Personnalité / Itaú BlackSmiles2,5:1400
Itaú Personnalité / Itaú BlackLATAM Pass2,5:1400
Itaú Unibanco (outros)Smiles2,5:1400
Bradesco AeternumSmiles2,2:1454
Bradesco Prime InfiniteLATAM Pass2,5:1400
C6 Carbon (átomos)Smiles1,5:1667
C6 Carbon (átomos)LATAM Pass1,5:1667
Santander (Esfera)LATAM Pass1:11.000
Santander (Esfera)Smiles1:11.000
Banco Inter (pontos Inter)Smiles1:11.000
Banco Inter (pontos Inter)LATAM Pass1:11.000
Livelo (pontos acumulados)Smiles1:11.000
Livelo (pontos acumulados)LATAM Pass1:11.000
Livelo (pontos acumulados)Azul Fidelidade1:11.000

Para entender qual banco rende mais considerando o gasto do cartão e a anuidade, a comparação completa de CPM por perfil está em qual cartão de milhas faz mais sentido pelo seu padrão de gasto.

Por que o bônus não salva uma taxa base ruim

Vou dar um exemplo numérico simples, porque os números falam mais que qualquer argumento.

Dois cenários hipotéticos, mesma promo de 100% de bônus ativa:

Banco A — taxa base 1:1 — você transfere 100.000 pontos. Milhas antes do bônus: 100.000. Com 100% de bônus: 200.000 milhas.

Banco B — taxa base 2,5:1 — você transfere 100.000 pontos. Milhas antes do bônus: 40.000. Com 100% de bônus: 80.000 milhas.

Com o mesmo bônus de 100%, o Banco A entrega 2,5× mais milhas do que o Banco B. A diferença toda é a taxa base.

Agora, o Banco B precisaria de um bônus de 400% para empatar com o Banco A no bônus de 100%. Você já viu uma promo de 400%? Eu nunca vi.

A conclusão prática: quando o bônus de transferência é igual em dois bancos, transfira sempre pelo que tem taxa base mais próxima de 1:1. Banco com taxa desfavorável só vence se o bônus for materialmente maior e você calcular antes.

Quando a taxa ruim ainda pode valer

Existem dois casos em que transferir por um banco com taxa base desfavorável faz sentido:

1. O bônus compensa — e você fez a conta

Se o Itaú está com 200% de bônus (raro, mas já aconteceu em ações pontuais para correntistas Private), a conta muda. 100.000 pontos Itaú → 40.000 milhas base → 300% = 120.000 milhas. Ainda menos do que Livelo/Esfera a 1:1 com 100% (que daria 200.000), mas pode ser competitivo se o custo de aquisição dos pontos Itaú for muito baixo naquele mês.

2. Você não tem outra moeda disponível

Se seus pontos estão todos concentrados num banco com taxa ruim e o voo que você quer está disponível agora, a conta muda: o custo de oportunidade de não voar ou de pagar em cash pode superar o custo extra da taxa de conversão. A lógica do custo de oportunidade é um dos cinco critérios do guia de método para transferências — vale reler antes de decidir.

Nenhum desses casos é “transfira sem calcular”. Ambos exigem a conta feita antes.

O papel do clube na equação

Clube Esfera e Clube Livelo adicionam percentual extra sobre as milhas que chegam — mas a taxa base não muda. O clube multiplica o bônus da promoção, que por sua vez incide sobre o saldo pós-conversão.

A matemática fica assim:

Milhas finais = (pontos ÷ taxa base) × (1 + bônus base%) × (1 + extra clube%)

Exemplo: 100.000 pontos Santander Esfera, taxa base 1:1, bônus de 80%, Clube Esfera Ouro com 30% extra:

100.000 ÷ 1 × 1,80 × 1,30 = 234.000 milhas

Compare com Itaú, mesma promo, mesmo clube hipotético de 30% extra, taxa base 2,5:1:

100.000 ÷ 2,5 × 1,80 × 1,30 = 93.600 milhas

O clube atenua a diferença, mas não a zera. A taxa base ainda manda.

Para quem está avaliando se o clube se paga, a comparação direta de CPM com e sem assinatura está em clube de pontos versus transferência bonificada — qual rende mais.

O que fazer com isso agora

  1. Encontre a taxa base do seu banco para cada programa. Procure “tabela de conversão [banco] [programa]” no site do banco — geralmente está no FAQ de benefícios do cartão.
  2. Sempre calcule milhas antes do bônus primeiro. A conta certa é: pontos ÷ taxa base = milhas base. Só depois aplica o bônus.
  3. Compare programas a CPM igual de chegada. Se você quer 200.000 Smiles, qual banco exige menos pontos para isso? Esse é o banco que você deve usar nessa operação.
  4. Não transfira banco com taxa ruim por reflexo de bônus alto. Bônus de 100% em taxa 2,5:1 ainda perde para bônus de 60% em taxa 1:1 em muitos cenários.

A taxa de conversão é o número mais ignorado — e mais impactante — na conta de transferência. Uma vez que você tem esse dado por banco, cada promo que aparece na semana fica mais fácil de avaliar em 30 segundos.


Fontes

L

Escrito por

Letícia Ribas

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