Pontos de cartão de crédito expiram? O prazo real por banco e como não perder os seus
Itaú, Bradesco, Nubank, C6, Santander, Inter — cada banco tem regra diferente de vencimento. Mapeei o prazo real de cada programa e o que você pode fazer nos últimos 60 dias antes de perder tudo.
Uma leitora me mandou mensagem em março passado com a frase mais dolorosa do universo das milhas: “Letícia, perdi 120 mil pontos Iupp porque não sabia que venciam em dezembro.” Ela achava — como a maioria acha — que pontos de cartão de crédito ficam lá para sempre, acumulando silenciosamente até o dia em que você decide usá-los.
Não ficam. E a pior parte: cada banco tem regra diferente, com prazo diferente, e em alguns casos a regra mudou nos últimos 12 meses sem aviso destacado.
O que importa entender antes de ver o ranking
Ponto e milha são coisas diferentes, e o prazo de vencimento segue regras diferentes dependendo de onde o ponto vive.
Ponto bancário (Iupp do Itaú, Esfera do Santander, C6 Átomos, Inter Loop) vive na conta do banco. O prazo é definido pelo banco.
Milha aérea (Smiles, Latam Pass, Azul Fidelidade, TudoAzul) vive no programa da aérea. O prazo é definido pela aérea — e costuma ser mais generoso, porque a aérea quer que você use o ponto dela, não que perca.
Clube de pontos (Livelo, Esfera como clube) tem regra própria, às vezes diferente do banco emissor.
A confusão que faz as pessoas perderem pontos é tratar tudo como se fosse a mesma coisa. Não é. Veja a diferença concreta abaixo.
Ranking: prazo de vencimento por programa (do mais generoso ao mais restrito)
Fiz esse mapa com as regras vigentes em junho de 2026, lendo os termos de cada programa diretamente — não de outros blogs.
Nível 1 — Pontos que não expiram (com condição)
Nubank Rewards: não vence enquanto o cartão está ativo e você faz ao menos uma compra por mês. Inatividade de 12 meses consecutivos cancela o programa para aquela conta.
Inter Loop: não vence enquanto o cartão está ativo. Sem condição de compra mínima declarada nos termos — mas o Inter pode alterar isso unilateralmente.
Latam Pass (milhas aéreas): não vence para membros com ao menos uma atividade qualificada (voo, compra em parceiro ou transferência de entrada) nos últimos 36 meses. É o prazo mais folgado das aéreas BR.
Azul Fidelidade: prazo de 24 meses após a última atividade qualificada (compra, voo, acúmulo por parceiro).
Nível 2 — Pontos com prazo fixo por safra
Iupp (Itaú): os pontos vencem 2 anos após a data de crédito da fatura em que foram gerados. Ou seja: pontos de janeiro de 2025 vencem em janeiro de 2027. Não é prazo a partir da última atividade — é prazo por safra de ponto. Isso faz muita diferença: mesmo que você use o cartão todo mês, os pontos antigos vencem na data deles, não na data da sua última compra.
Esfera (Santander): pontos vencem 24 meses após a data de crédito, mesmo esquema do Iupp. Pontos creditados em junho de 2024 vencem em junho de 2026 — daqui a alguns dias, se você está lendo isso em junho de 2026.
C6 Átomos: pontos vencem 24 meses após a data de crédito da fatura. Mesmo esquema safra-a-safra.
Nível 3 — Prazo mais curto ou com condição mais restritiva
Smiles (milhas aéreas): vencem 24 meses após a data de crédito das milhas. Diferente do Latam Pass, aqui não é atividade — é prazo por lote creditado.
TudoAzul: vencem 12 meses após a data de crédito. É o prazo mais curto das aéreas BR mainstream. Muita gente acumula TudoAzul por acúmulo de compra no cartão Azul e perde porque não emite dentro de 1 ano.
Livelo (pontos no clube): pontos vencem 24 meses após a data de crédito se você não tiver assinatura Livelo ativa. Com assinatura ativa do clube, o prazo é suspenso enquanto a assinatura está válida.
Os três erros que fazem mais gente perder ponto
Calculei os padrões de perda com base nas dúvidas que chegam no blog — e três se repetem sempre:
Erro 1: tratar ponto bancário como milha aérea. Milha aérea tem prazo por atividade. Ponto bancário tem prazo por safra. Você pode usar o cartão todo mês e ainda assim perder os pontos de dois anos atrás, porque a atividade nova não renova o lote antigo.
Erro 2: lembrar do saldo mas esquecer da data. O app de banco mostra o total de pontos. Poucos mostram a data de vencimento por lote. Você vê “342.000 pontos” e acha que estão todos seguros. Mas dentro desse número pode haver 80.000 pontos que vencem em setembro.
Erro 3: esperar o bônus perfeito pra transferir. Eu escrevi sobre isso em mais detalhe no post sobre pontos bancários vencendo — transferir agora sem bônus ou esperar. O resumo: ponto perdido por vencimento tem CPM de R$ 0,00. Mesmo uma transferência sem bônus tem CPM positivo.
O que fazer nos últimos 60 dias antes do vencimento
Aqui está a checklist que mandei pra leitora (tarde demais pra ela, mas não pra você):
Dia 60 antes do vencimento: Abra o extrato de pontos do banco, não o saldo geral. Procure o menu “detalhamento” ou “extrato por fatura”. Veja quais lotes vencem em menos de 90 dias. Anote o volume.
Dia 45: Verifique se tem bônus de transferência ativo pro programa que você quer. Se sim, ótimo — aproveite. Se não, calcule o CPM da transferência sem bônus e compare com o custo de perder os pontos. Quase sempre transferir sem bônus é melhor que perder.
O guia de quando vale transferir pontos tem o cálculo completo pra esse cenário.
Dia 30: Inicie a transferência. Atenção ao prazo de processamento: Smiles e Latam Pass costumam creditar em 24-72h, mas Azul e TudoAzul podem demorar até 7 dias úteis. Nunca transfira na véspera do vencimento. Veja os prazos por programa detalhados em quanto tempo demora a transferência por programa.
Dia 15: Confirme que as milhas chegaram no programa destino. Guarde o print do saldo antes e depois. Se não caiu, abra chamado imediatamente com o número do protocolo de transferência.
Minha escolha e por que
Na minha leitura, o esquema de vencimento por safra do Iupp e da Esfera é o mais traiçoeiro do mercado BR porque não tem “renovação por atividade”. Você pode ser cliente ativo e fiel ao banco e ainda assim perder pontos — sem aviso, sem e-mail proeminente, sem notificação no app.
Pra quem acumula nessas plataformas, a estratégia que faz sentido é transferir aos lotes de 6 em 6 meses, mesmo sem bônus, pra um programa aéreo onde a atividade renova o prazo. Concentrar em um ou dois programas aéreos e gerir de lá é muito mais fácil do que monitorar safra por safra no banco — explico esse raciocínio de concentração em concentrar pontos num programa só ou diversificar.
Perguntas que chegam toda semana
Dá pra recuperar pontos já vencidos? Em regra, não. Alguns bancos têm política de reativação por até 90 dias após o vencimento mediante protocolo e, às vezes, taxa. O Itaú Iupp já teve essa opção esporadicamente. Mas não é garantido — e a chance diminui quanto mais tempo passa. Não conte com isso como plano B.
Usar os pontos no próprio catálogo do banco “renova” o prazo dos pontos restantes? Não. O resgate consome pontos, mas não renova o prazo dos pontos que ficaram. Cada lote segue a própria data de vencimento independentemente do que você fez com outros lotes.
Transferência de pontos para outra pessoa mantém a data de vencimento? Depende do programa destino. A milha que chega no programa aéreo via transferência segue as regras do programa aéreo, não do banco de origem. Então sim — transferir pra Latam Pass, por exemplo, normalmente dá mais prazo do que o ponto ficaria no banco.
Fontes:
- Termos e Condições Iupp Itaú — Vencimento de Pontos (consultado junho 2026)
- Regulamento Smiles — Prazo de Validade das Milhas (consultado junho 2026)
- Termos do Programa LATAM Pass — Validade (consultado junho 2026)
- Regulamento TudoAzul — Expiração de Pontos (consultado junho 2026)
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Escrito por
Letícia Ribas
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