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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Tanque cheio ou pré-pago no aluguel de carro: o cálculo que evita cobrança extra

Um repórter da The Points Guy devolveu o carro com o tanque cheio e mesmo assim foi cobrado. Refiz a conta de tanque cheio vs. pré-pago com Avis, Hertz e Localiza — a resposta certa raramente é a mais "prática".

Marcos Hayama 5 min de leitura
Pessoa abastecendo carro alugado no posto de combustível
Pessoa abastecendo carro alugado no posto de combustível

Ryan Smith, repórter da The Points Guy, devolveu o carro alugado com a Avis com o tanque no talo. Foto do painel salva, recibo do posto guardado. Duas semanas depois, a fatura chegou com um lançamento de US$ 18,99 de “Fuel Service” — como se ele tivesse devolvido o carro seco. Não foi a primeira vez: ele achou a mesma cobrança em outras duas locações, no mesmo aeroporto, com a mesma locadora. Leitores da TPG relataram a cena idêntica com Hertz e Budget.

A moral não é “desconfie da Avis”. É que a política de combustível — a parte do contrato que todo mundo assina sem ler — tem mais letra miúda do que caução e seguro juntos, e ela pune até quem faz tudo certo. Antes de qualquer viagem, vale entender qual opção realmente sai mais barata, e o que fazer quando a cobrança chega errada mesmo assim.

A tese

Tanque cheio-cheio, feito direito, quase sempre ganha do pré-pago. A exceção não é a regra que a locadora te vende no balcão — é a que ela evita mencionar até você perguntar.

O motivo é simples: no pré-pago (a locadora chama de Fuel Purchase Option ou “combustível incluso”), você paga por um tanque cheio no início e devolve o carro vazio, sem reembolso pelo que sobrou. A maioria dos motoristas devolve com um quarto a metade do tanque ainda cheio — e paga por gasolina que nunca queimou.

Quanto custa cada opção, com número

Pré-pago (FPO). A oferta soa prática: “pague agora, devolva sem se preocupar.” O problema é que você fecha a conta pelo tanque inteiro no ato da retirada, mesmo rodando pouco. Numa locação de fim de semana em que sobram 6-8 litros no tanque, isso é dinheiro parado no cofre da locadora, não no seu bolso.

Devolver sem completar (o pior cenário). Se você não abastece e não pagou o pacote, a locadora completa o tanque e cobra o preço dela, não o do posto. A The Points Guy mostra a conta: faltar o equivalente a 10 galões (uns 38 litros) custou entre US$ 43 e US$ 50 na cobrança da locadora — o mesmo volume, num posto a 1,5 km do ponto de devolução, custaria US$ 35-37. A Hertz cobra o preço do posto mais uma taxa fixa de serviço de US$ 6,99 por transação. A Avis tem o pacote EZFuel, uma taxa fixa de US$ 17,99 (Califórnia) ou US$ 15,99 (demais estados) pra quem roda menos de 75 milhas e não quer se preocupar em completar.

Tanque cheio-cheio (a opção que ganha na maioria dos casos). Você recebe o carro cheio, devolve cheio, abastecendo num posto qualquer a preço de mercado. A única forma de perder nessa opção é devolver incompleto por esquecimento — e aí você cai automaticamente no cenário anterior.

No Brasil, a régua é parecida. Segundo a página oficial da Localiza, o carro sai com tanque cheio e deve voltar cheio; devolver incompleto gera taxa de conveniência de R$ 59,95, mais o valor proporcional do combustível faltante pelo preço praticado no estado de devolução. Repare que a Localiza não infla o preço do litro — ela cobra a mesma tabela do posto. O prejuízo real está inteiro na taxa fixa de R$ 59,95, que você paga só por não ter parado num posto a caminho da devolução. Movida e Unidas seguem política equivalente.

A pegadinha que ninguém avalia: fazer certo não garante nada

Aqui está o que a TPG documentou e que muda a estratégia: mesmo devolvendo o tanque cheio, o sistema da locadora pode lançar a taxa de combustível por erro operacional — sensor mal calibrado, funcionário que não confere o marcador, ou simplesmente falha de processo. A Dollar, por exemplo, exige abastecer num raio de 10 milhas (16 km) do ponto de devolução e apresentar o recibo pra evitar a cobrança — sem o recibo, a palavra do cliente não basta.

A defesa é chata, mas funciona: guarde o recibo do posto (com hora e local) e tire foto do marcador de combustível no painel antes de entregar as chaves. Segundo a própria TPG, a maioria dos leitores que contestou com essas provas recebeu o valor de volta — mas só quem tinha prova.

O contra-argumento honesto

O pré-pago não é sempre errado. Ele compensa em três cenários específicos: voo de madrugada com devolução antes de qualquer posto abrir; trecho isolado onde você sabe, com certeza, que vai zerar o tanque; ou locação muito curta perto do aeroporto, onde o desvio até um posto custa mais tempo (e risco de perder o voo) do que a diferença em dinheiro. Fora desses casos, devolver cheio por conta própria ganha quase sempre — e ganha de forma mensurável, não por regra geral de blog de viagem.

Onde isso te leva

Numa locação de uma semana, a diferença entre pré-pagar e abastecer você mesmo raramente passa de R$ 80-150 (ou US$ 15-30 fora do Brasil) — pouco isolado, mas alguém que aluga carro 4-5 vezes por ano deixa de queimar um voo doméstico inteiro em taxa de “praticidade” ao longo de um ano. Se você já compara portais pra alugar carro com pontos, essa economia de combustível entra na mesma conta de CPM efetivo da viagem — é dinheiro que sobra pra comprar milhas na próxima promoção, não pra sustentar a margem da locadora.

E essa não é a única letra miúda que aparece só no balcão: a caução travada no cartão de crédito costuma pegar o viajante de surpresa do mesmo jeito, e vale conferir também se o seguro CDW do seu cartão já cobre o que a locadora está tentando vender de novo no balcão. Fechando a conta: o cartão que pontua mais forte em compra no exterior em dólar também é, quase sempre, o que compensa usar pra pagar no posto — não pra fechar pacote de combustível na locadora.

Minha regra depois de anos rodando 90 mil km por ano em viagem a trabalho: recuso pré-pago por padrão, guardo recibo e foto do painel sempre, e só reconsidero quando o horário do voo não deixa alternativa.

Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

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