quinta-feira, 11 de junho de 2026
Milhas BR MILHAS TRAVEL HACKING
Hotéis & Aluguel

Marriott Bonvoy na América do Sul: os sweet spots reais para usar pontos em 2026

Mapeei os melhores resgates Marriott Bonvoy na América do Sul — Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Brasil — com custo em pontos, CPM real e quais hotéis fazem a conta fechar em 2026.

Marcos Hayama 7 min de leitura
Lobby de hotel de luxo com pé-direito alto, iluminação quente e vista para jardim tropical
Lobby de hotel de luxo com pé-direito alto, iluminação quente e vista para jardim tropical

Em março deste ano reservei uma noite no Sheraton Buenos Aires por 25.000 pontos Bonvoy. A diária cash no mesmo dia estava em R$ 1.180. Fiz a conta: CPM de R$ 0,047 por ponto — o melhor que consegui num resgate Marriott em dois anos de controle de planilha. Não foi sorte. Foi saber onde procurar.

A maioria das guias de Marriott Bonvoy foca em hotéis dos EUA e Europa. Faz sentido para o mercado americano. Para o brasileiro que acumula Bonvoy no cartão Itaú e quer resgatar na América do Sul — seja para lazer, lua de mel ou até mileage run de status —, esse conteúdo quase não existe em português com número real.

Este guia corrige isso.

O que importa decidir antes de buscar sweet spots

Três critérios filtram se um resgate é sweet spot ou desperdício disfarçado:

1. CPM acima de R$ 0,030 por ponto — abaixo disso, em geral compensa mais guardar os pontos para usar num hotel mais caro ou no certificado de noite grátis. O como calcular o CPM real do seu cartão de milhas explica o método que uso, adaptável para qualquer resgate.

2. Hotel que você realmente escolheria pagar — sweet spot em hotel que você nunca pagaria cash é ilusão. Se a diária cash seria R$ 400 mas você jamais pagaria R$ 400 naquele hotel, o resgate também não entrega valor.

3. Disponibilidade de pontos nos fins de semana e alta temporada local — muito hotel sul-americano tem boa disponibilidade de pontos em baixa temporada e fecha os resgates (ou sobe de categoria) em feriados locais. A data importa tanto quanto o hotel.

Os melhores sweet spots por país

Fiz simulações em junho de 2026 para 3-4 datas diferentes em cada propriedade. Os custos abaixo refletem faixa típica fora de feriados locais.

Argentina — Sheraton Buenos Aires Hotel & Convention Center

Custo: 25.000–35.000 pontos por noite Diária cash típica: R$ 980–R$ 1.400 CPM estimado: R$ 0,040–0,047

O Sheraton Buenos Aires é o sweet spot mais consistente da América do Sul no Bonvoy. Fica no centro histórico, tem acesso fácil à Avenida de Mayo e ao microcentro, e a demanda em pontos é surpreendentemente estável — o que não acontece com o W Buenos Aires, que oscila entre 40.000 e 60.000 pontos dependendo da data e já teve noites em 70.000 pontos no Carnaval portenho.

Para viagem de casal a Buenos Aires com foco em gastronomia e cultura, o Sheraton entrega o CPM mais alto do portfólio sul-americano que acompanho.

Chile — Sheraton Grand Santiago

Custo: 30.000–45.000 pontos por noite Diária cash típica: R$ 1.050–R$ 1.600 CPM estimado: R$ 0,033–0,040

Santiago tem um mercado hoteleiro competitivo, o que pressiona as diárias cash para cima — o que é bom para o CPM do resgate. O Sheraton Grand fica no bairro de Las Condes, a 20 minutos do centro histórico e do Parque Arauco.

O ponto de atenção: setembro é o mês da Fiestas Patrias chilena, e os preços cash e de pontos sobem juntos. Evite essa janela para resgates — a vantagem do CPM desaparece.

Existe também o W Santiago (Las Condes), que costuma custar 50.000–65.000 pontos. O CPM fica em torno de R$ 0,028–0,033, abaixo do Sheraton. Para quem quer a experiência W e tem pontos sobrando, funciona. Para maximização de CPM, o Sheraton Grand vence.

Colômbia — JW Marriott Bogotá

Custo: 35.000–50.000 pontos por noite Diária cash típica: R$ 1.200–R$ 1.900 CPM estimado: R$ 0,036–0,044

Bogotá é uma das cidades que mais surpreende o viajante brasileiro em termos de CPM de resgate. A demanda turística americano-europeia mantém as diárias cash do JW Marriott Bogotá elevadas — e o custo em pontos ainda não acompanhou essa valorização.

O hotel fica no Parque de la 93, bairro seguro, com boa gastronomia e vida noturna. Para quem combina Bogotá com Cartagena (onde o Marriott local tem CPM menor, em torno de R$ 0,028), a viagem toda pode ser resgatada com pontos a um CPM médio competitivo.

Há também o W Bogotá, mas custa em média 55.000–70.000 pontos. Para o perfil de viajante que quer extrair o máximo dos pontos acumulados, o JW é a escolha racional.

Peru — Westin Lima

Custo: 30.000–45.000 pontos por noite Diária cash típica: R$ 950–R$ 1.500 CPM estimado: R$ 0,030–0,038

Lima surpreende positivamente. O Westin Lima Hotel & Convention Center fica em Miraflores, o bairro mais seguro e com a melhor gastronomia da cidade — e é aqui que o preço cash é sustentado pela demanda gastronômica internacional. O circuito de cevicheria fina de Lima atrai viajantes que pagam hotéis de R$ 1.000+ por noite, o que mantém o CPM do resgate em território positivo.

O ponto de cautela: Lima tem alta temporada em julho-agosto (férias de inverno sul-americanas). Nesse período, o Westin Lima sobe para 50.000–65.000 pontos e o CPM despenca. A janela ótima é abril-junho e setembro-outubro.

Brasil — Marriott Ibirapuera Autograph Collection (São Paulo)

Custo: 40.000–55.000 pontos por noite Diária cash típica: R$ 1.100–R$ 1.600 CPM estimado: R$ 0,025–0,033

Coloco aqui porque a maioria dos brasileiros não considera usar pontos dentro do Brasil — mas o Marriott Ibirapuera tem CPM que justifica o resgate, especialmente em datas onde a diária cash passa de R$ 1.300. O hotel tem posição estratégica no Ibirapuera, acabamento acima da média do portfólio Marriott local e café da manhã incluído nos resgate de pontos (diferente de alguns pacotes cash, que cobram à parte).

Para quem acumula Bonvoy e tem viagem de lazer para São Paulo, não ignore esse resgate.

Minha tabela resumo — CPM por propriedade

HotelPaísPontos típicosDiária cash típica (R$)CPM estimado
Sheraton Buenos AiresArgentina25–35 milR$ 980–1.400R$ 0,040–0,047
JW Marriott BogotáColômbia35–50 milR$ 1.200–1.900R$ 0,036–0,044
Sheraton Grand SantiagoChile30–45 milR$ 1.050–1.600R$ 0,033–0,040
Westin LimaPeru30–45 milR$ 950–1.500R$ 0,030–0,038
Marriott Ibirapuera SPBrasil40–55 milR$ 1.100–1.600R$ 0,025–0,033

Minha escolha para maximizar CPM: Buenos Aires no Sheraton, fora de julho e da alta temporada local. É o resgate que eu repetiria sem pensar duas vezes.

Perguntas reais que chegam sobre resgates na América do Sul

Posso usar o certificado de noite grátis nesses hotéis? Sim, mas com ressalvas. O certificado padrão do cartão Marriott brasileiro tem teto de 50.000 pontos — o Sheraton Buenos Aires e o Westin Lima entram nessa faixa em datas de baixa temporada. O JW Bogotá e o W Santiago em geral ficam acima do teto sem o top-off de 25.000 pontos extras. O guia completo de como funciona o top-off de 25.000 pontos no certificado Marriott explica os detalhes.

Vale a pena acumular Bonvoy via cartão só para esses resgates? Depende do seu perfil. Se você já tem cartão Itaú Personnalité Visa Infinite, o Bonvoy entra na equação de forma natural. Para quem vai abrir um cartão especificamente para acumular pontos de hotel, o comparativo de certificados de noite grátis dos principais programas ajuda a entender se Bonvoy é a escolha certa para o seu perfil de hospedagem.

Esses hotéis aceitam upgrade de status Bonvoy? Sim — os hotéis listados reconhecem status Gold e Platinum na América do Sul com consistência acima da média. Em Buenos Aires, o Sheraton é reconhecido pela equipe de concierge local como excelente em reconhecimento de status para latinos. Upgrades de quarto standard para superior acontecem com frequência no Sheraton BA e no JW Bogotá para Platinum.

Onde o mapeamento pode falhar

O Marriott revisa categorias de hotéis duas vezes por ano. O próximo review estava previsto para agosto de 2026. Sheratons e JW Marriotts na América do Sul têm sido historicamente estáveis nas categorias — mas Buenos Aires, em especial, pode subir se a demanda do mercado de turismo de luxo americano continuar crescendo no ritmo de 2025.

Além disso, a taxa de câmbio influencia o CPM calculado em reais. Com dólar a R$ 5,80 a conta fecha diferente de dólar a R$ 6,30. Os CPMs desta lista foram calculados com câmbio de referência de junho de 2026.

Fontes

M

Escrito por

Marcos Hayama

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

Continue lendo · Hotéis & Aluguel

Ver tudo →